Espaço dedicado a pensamentos, poesias & devaneios. Sabor, comida, viagens, fotos, livros e o que mais der na telha (ou no forno).

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sessão pequenos prazeres: maçãs, chuva, caramelo e baunilha



Bolo de Maçãs Carameladas com muita (hummm!!!) Baunilha


Ingredientes


Para as maçãs carameladas
4 maçãs Gala (sem casca, sem sementes, cortadas em oito)
75 g de açúcar refinado
50 g de manteiga sem sal
2 favas de baunilha (abrir ao meio e usar as sementinhas)
2 col. de chá de suco de limão Siciliano

Para a massa
150 g de manteiga sem sal
150 g de açúcar refinado
150 g de farinha de trigo
75 g de farinha de amêndoas
1 ½ col. de chá de fermento químico em pó
3 ovos caipiras inteiros
Raspas de 1 limão Siciliano
1 col. de sopa de rum


Modo de preparo

Maçãs carameladas
1. Derreta a manteiga já na assadeira que irá ao forno.
2. Adicione o açúcar, o suco de limão e a baunilha.
3. Junte as maçãs e cozinhe-as, em fogo baixo, até que fiquem macias e o caramelo adquira um tom âmbar.

Massa
1. Na batedeira, bata a manteiga, as raspas de limão e o açúcar até obter um creme claro e leve.
2. Junte os ovos um a um. Bata bem após a adição de cada um.
3. Fora da batedeira, incorpore a farinha de trigo, a farinha de amêndoas, o fermento e o rum.
4. Verta a massa sobre as maçãs e asse em forno quente até que a massa esteja dourada.
5. Desenforme o bolo ainda quente.


E que venha mais chuva! Desde que acompanhada por muita baunilha...

sábado, 28 de abril de 2012

Eu e os livros

Mesmo sabendo que nem sempre conseguirei bons títulos, já acostumei-me a garimpar os sebos de Pinheiros em busca de livros de culinária. O bacana dessa busca é procurar sem intenção alguma, sem qualquer título em mente. Em meio ao pó, o mais prazeroso é correr os dedos pelas estantes, escolher os livros pelas capas e lombadas, folhear...e cheirar. Já disse que adoro cheiro de livro velho? Gosto inclusive dos livros com marcas, grifos, rabiscos e dedicatórias. E o melhor de tudo é que nessa última sexta feira chuvosa um passeio de apenas uma horinha rendeu boas compras.

Ah...a Itália, sempre a Itália. Como resistir aos livros com belas e apetitosas fotos?
Giuliano Bugialli's Foods of Italy

Arte e Cozinha. Pintura e Comida.
Musée Gourmand. Le Peintre et Le Cuisinier, de Marc Meneau e Annie Caen

Precisei colaborar com uma matéria sobre sobremesas russas recentemente e percebi que esse assunto é bastante obscuro, pelo menos aqui no Brasil. E eis que achei um livro sobre culinária russa! O livro é bem interessante, mas sinto que continuarei sem responder todas as dúvidas da jornalista...
Classic Russian Cuisine, de Alla Sacharow

Olha aí as receitas vegetarianas sempre me perseguindo! O que é uma boa, já que dou aulas de cozinha vegetariana. E posso dizer uma coisa? Os alunos acabam se surpreendendo com as infinitas possibilidades do vegetarianismo.
World Vegetarian Classics, de Celia Brooks Brown

Jardim de ervas, cozinha francesa e belas fotos. Tem como resistir?
Recipes from a French Herb Garden, de Geraldene Holt

Nos vemos no próximo garimpo! ;)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Poesia


Em algumas noites costumo ter sonhos. Sonhos ingênuos. Sonhos de criança. Daqueles que são comidos com dedos ávidos, mãos rápidas e uma boca descomunal. Sonhos de um apetite insaciável. Sonhos de açúcar. Já nem sei se são sonhos noturnos. Talvez sejam sonhos do mais luminoso dos dias, daquelas manhãs que invadem as mínimas frestas da janela e atormentam os olhos que teimam em permanecer fechados. Já nem sei de onde vem a luz, se dos sonhos, se do dia, da janela ou da lua. Porque nem sei do que são feitos esses sonhos que sonho. Porque, por vezes, esses sonhos todos se evadem, evanescem. Como aquela nuvem de açúcar que enfeita e decora os sonhos.

Quando me recordo, lembro que sonhei sonhos ingênuos. Daqueles de criança. Sonho que o mundo poderia ser todo leve, todo açúcar polvilhado. Todo nuvem. Daquelas que fazem desenhos no céu de lápis de cor. Sonho que pessoas não passam fome, sonho que as pessoas morrem apenas quando chega a hora, sonho que a palavra sofrimento não existe nos dicionários. Sonho que Deus não pune, que o diferente inexiste, que tanto faz do que você gosta e como você é. Sonho com um mundo de poesia. Sonho com um mundo repleto de pessoas com olhos para o belo. Pessoas que procuram a luz, mesmo que noturna. Sonho com pessoas que sonham e já nem sei se um sonho está dentro do outro sonho, e se um está dentro do outro, também não sei qual é o de fora e qual é o de dentro. Já nem sei se tudo é sonho, se mesmo o que escrevo é sonho.

Sonho com um mundo de coisas simples. Uma pedra, uma pena, um galho, o vento. Sonho que vivo em um mundo movido pela poesia. A poesia das pequenas coisas, do pó da estrada. Sonho com a beleza do imperfeito, do incompleto, do talho na madeira. Sonho com a beleza das pequenas coisas.

Sonho ou sinto. Pois agora não sei se durmo ou já estou desperto. Portanto, sinto. Sinto o vento, aquele que espalha o açúcar pela mesa, e este me confirma essa realidade sonhada. A das pequenas coisas. E, como o açúcar fino que entranha em nossa roupa, o vento me diz que só seremos felizes quando a certeza da simplicidade penetrar em todos os nossos poros.

E esse mesmo vento que balança meu cabelo em sonho, também fala que somente quando respirarmos poesia poderemos dizer que cumprimos o que nos foi solicitado. E então podemos morrer e nascer para o novo. Para o simples. Para o autêntico. Para o ingênuo. Para o sonho, mesmo que acordados.

domingo, 8 de abril de 2012

Passagem


Momento de redescoberta,
reenlace e ressurreição.
Momento de muitos res...
retomadas
reconquistas
releituras
reunião.
Páscoa
Passagem
Renovação!

Pimentões recheados com bacalhau


Arroz "malandrinho" de açafrão


Cataplana de bacalhau




Mousse de chocolate



Páscoa
2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Heresia

Porque os tempos mudaram,
e sei que já escrevi sobre isso.
Talvez porque os anseios tenham mudado,
talvez porque o eu escondido dentro de mim contou-me há pouco esse segredo,
e somente agora vim a perceber.
Porque acredito nos poucos ingredientes,
e na simplicidade dos jantares à luz de velas.
Porque acredito na madeira bruta, na louça brusca, na água fria, na rocha áspera.
Acredito na folha verde e no musgo escorregadio.
Porque acredito na carícia do pelo, no calor do corpo, no cheiro animal.
Porque acredito nas pequenas coisas,
nos pequenos gestos, nos olhares verdadeiros, no alinhavo do tecido.
Porque acredito na sinceridade,
na convivialidade,
na igualdade.
Porque não entendo o valor material, porque não sinto o peso da moeda.
Não entendo nem as guerras, nem a fome, nem a superficialidade.
Porque sonho e porque sinto.
E mesmo que a palavra não seja mais pedra; nem a madeira, aconchego; nem o pelo, carícia;
ainda acredito.
Porque acredito na profundidade.
Porque acredito na verdade, no chão, na terra, no pó.