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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Poesia


Em algumas noites costumo ter sonhos. Sonhos ingênuos. Sonhos de criança. Daqueles que são comidos com dedos ávidos, mãos rápidas e uma boca descomunal. Sonhos de um apetite insaciável. Sonhos de açúcar. Já nem sei se são sonhos noturnos. Talvez sejam sonhos do mais luminoso dos dias, daquelas manhãs que invadem as mínimas frestas da janela e atormentam os olhos que teimam em permanecer fechados. Já nem sei de onde vem a luz, se dos sonhos, se do dia, da janela ou da lua. Porque nem sei do que são feitos esses sonhos que sonho. Porque, por vezes, esses sonhos todos se evadem, evanescem. Como aquela nuvem de açúcar que enfeita e decora os sonhos.

Quando me recordo, lembro que sonhei sonhos ingênuos. Daqueles de criança. Sonho que o mundo poderia ser todo leve, todo açúcar polvilhado. Todo nuvem. Daquelas que fazem desenhos no céu de lápis de cor. Sonho que pessoas não passam fome, sonho que as pessoas morrem apenas quando chega a hora, sonho que a palavra sofrimento não existe nos dicionários. Sonho que Deus não pune, que o diferente inexiste, que tanto faz do que você gosta e como você é. Sonho com um mundo de poesia. Sonho com um mundo repleto de pessoas com olhos para o belo. Pessoas que procuram a luz, mesmo que noturna. Sonho com pessoas que sonham e já nem sei se um sonho está dentro do outro sonho, e se um está dentro do outro, também não sei qual é o de fora e qual é o de dentro. Já nem sei se tudo é sonho, se mesmo o que escrevo é sonho.

Sonho com um mundo de coisas simples. Uma pedra, uma pena, um galho, o vento. Sonho que vivo em um mundo movido pela poesia. A poesia das pequenas coisas, do pó da estrada. Sonho com a beleza do imperfeito, do incompleto, do talho na madeira. Sonho com a beleza das pequenas coisas.

Sonho ou sinto. Pois agora não sei se durmo ou já estou desperto. Portanto, sinto. Sinto o vento, aquele que espalha o açúcar pela mesa, e este me confirma essa realidade sonhada. A das pequenas coisas. E, como o açúcar fino que entranha em nossa roupa, o vento me diz que só seremos felizes quando a certeza da simplicidade penetrar em todos os nossos poros.

E esse mesmo vento que balança meu cabelo em sonho, também fala que somente quando respirarmos poesia poderemos dizer que cumprimos o que nos foi solicitado. E então podemos morrer e nascer para o novo. Para o simples. Para o autêntico. Para o ingênuo. Para o sonho, mesmo que acordados.

14 comentários:

  1. Um belo sonho. É pena acordar, mas se é preciso mesmo acordar vale a pena tentar fazer o sonho se tornar realidade.

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  2. Linda poesia, não poderia vir de outra pessoa a não ser do GRANDE BERGAMO...

    Muitas vezes meus sonhos me levam a lugares e, também ao encontro de pessoas as quais para mim significam muito, mas que por um motivo ou outro foram embora ou ainda não tive a oportunidade de reencontrar...o importante acima de tudo, é jamais desistir do que sentimos para então reencontramos o sonhamos.

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  3. Obrigado Henrique e Fausto!

    Bonitas palavras anônimo. Deixe seu nome em um próximo comentário :)

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  4. Tomara que sonhos como esses seduzam a realidade para que ela se entregue a uma realidade melhor, Marcelo.

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  5. Obrigado pelo comentário sedutor Tim Dim!

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  6. Ai de nós se a poesia e o sonho não fossem algodão doce que comemos
    devagar, saboreamos até ficarmos todos lambuzados mas felizes! :)

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  7. O bardo disse que a vida era feita de som e de fúria. Talvez, mas ela também é feita de sonhos e de silêncios.
    Forte abraço

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  8. A poesia nos impregna. Quem a respira vive e age segundo seu ritmo e sutileza.
    Abraços...

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  9. Este tal do vento que balança o cabelo no sonho eu achei o máximo!!...
    Bjs!

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  10. Obrigado pelo comentário-poesia Noémia!

    Obrigado anônimo! Assim espero...sonhos, silêncio e contemplação.

    Um abraço Expedito! Obrigado pelo comentário.

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  11. Clau, tudo é possível nos sonhos, até o vento! Bj.

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  12. Sonhar é o inicio da jornada até a realidade.
    Abraços!

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