Espaço dedicado a pensamentos, poesias & devaneios. Sabor, comida, viagens, fotos, livros e o que mais der na telha (ou no forno).

sábado, 24 de dezembro de 2011

40

Meses atrás pensei em me esconder no dia 24 de dezembro de 2011. Afinal, esconder algo é uma alternativa rápida e barata para fingirmos que aquele algo não existe. Mas não adianta. Os 40 perseguem o seu proprietário para cima e para baixo, para a direita e para a esquerda. Ontem, dormi com 39. Hoje, acordei com 40. Na verdade, acordei um pouco antes, achando que conseguiria trapacear os ponteiros do relógio. Voltei a dormir e, finalmente, despertei aos 40. E, pouco a pouco, vou me acostumando.
Quando somos mais jovens os 40 parecem algo muito distante. Idade dos pais, dos tios, dos professores. Os 40 têm inclusive uma aura de mistério. Para alguns, significa velhice; para outros, descoberta.
Sobrevivi ao Cometa Halley, ao Bug do Milênio, ao 11 de setembro, ao 11/11/11, à gripe suína, à gripe aviária e a centenas de outros finais de mundo.
Chegar aos 40 confirma que passei pelos 10, pelos 20 e pelos 30.
Dos 10 guardo lembranças do cotidiano, imagens e recortes. Lembro do cheiro do apartamento de minha nonna e dos passeios pelas ruas do bairro com minha outra avó. O sol queimando as nossas cabeças. Lembro de uma ponte balançando, de um lustre se quebrando e de um esqueleto de passarinho nas telhas da garagem em um dia de mudança. Lembro das polaroids e das peças teatrais no quintal do fundo. A barba do meu pai raspando em meu rosto. A vergonha infantil por ter pais velhos. “Seu chegou! Seu chegou!”. Lembro das infinitas vezes que meu irmão, com armas inventadas, tentou me tirar do mapa. Mas o máximo que ele conseguiu foi acertar uma paçoquinha dentro da panela de feijão.
O que guardo da adolescência? Poucos, mas necessários amigos. Paixões avassaladoramente platônicas. Cartas de amor. Horas e horas de conversa. Confissões. Leituras incríveis. Professores fantásticos. Lord Byron contemporâneo. Ah...a internet não exista...e também não tínhamos celular.
Os 20. A maldita fase que queremos tudo e todos, mas somos incapazes de doar qualquer coisa. Aos 20 achamos que somos o centro, que nossos problemas são os mais complexos e temos certeza que entendemos Deus. Egoístas, interesseiros e sofredores. Estudei muito, viajei, conheci um pouco do mundo. Amor e ódio vividos com a mesma intensidade. Pouco dinheiro no bolso. Tenho muitas e muitas lembranças dos 20. Um quadro íntimo. A década do Bem e do Mal, do Branco e do Preto, da Chuva e do Sol. Um mundo de opostos.
Aos 30. Decisões, escolhas e assinaturas. O adolescente de outrora é apenas uma sombra fugidia. A ameaça do futuro, as incertezas. Dúvidas e experimentações. Os 30 trazem consigo um pesado pacote. Lutar ou fugir. Erro e acerto. Cada um faz a sua escolha. Eu fiz a minha. Sofremos mais do que precisamos, mas, afinal, quem diria que seria diferente? Década das conquistas, da meditação e da angústia. Década do pensamento, do questionamento.
O que dizer se os 40 começam agora, hoje, aqui? Cartesianamente falando, a verdade é que já vivi 40 anos. Penso que falar “aos 40” seja um eufemismo, já que inicio hoje a minha quinta década de vida, que se completará aos 50. Acredito que seria mais delicado se contássemos a vida regressivamente, de trás pra frente.
Como um mágico, que esconde o segredo próximo ao corpo, o final dos 30 já mostrou o que há por vir. Já foi anunciado o que a quinta década promete. Aqui e agora tenho dificuldades para expressar o que sinto, ou talvez, isso seja tão íntimo e pessoal que me falta coragem. Coragem para me desvendar e ficar nu em praça pública. Isso foi privilégio de poucos.
Penso menos e sinto mais. Não mais existe o certo ou o errado, nem o branco e o preto existem com a mesma definição do passado.
Se estou feliz? Sim. Se escolhi o certo? Sim, mesmo que amanhã eu faça outra escolha. Encontrei a minha verdade? Sim, mesmo que amanhã ela se torne mentira.

“Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...”

Fernando Pessoa (Fragmento de O Guardador de Rebanhos)


Independentemente da crença de cada um, acreditando ou não em Deus e seu filho, desejo que essa noite de Natal traga Luz, Amor, Paz e Sabedoria a todos.
Que a canção de hoje seja os seus pensamentos.

Dezembro de 2011

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Formação em Gastronomia: Aprendizagem e Ensino

"Montar um curso de Gastronomia é tarefa multidisciplinar e complexa, como este livro define com bastante rigor. Deve ser lido por quem vai aprender com o curso, ou ajudar a administrá-lo. E também por quem já é profissional atuante na área, para enxergar seu cotidiano com uma visão crítica e inovadora".
Rosa Moraes
Diretora de Hospitalidade e Gastronomia - Rede Laureate Brasil

"Os primeiros Cursos de Gastronomia iniciaram ainda tímidos: não havia muita credibilidade, não se imaginava que poderiam se transformar no que são hoje".
ABAGA - Associação Brasileira de Alta Gastronomia


Nesta obra, dezesseis autores realizaram reflexões sobre os novos rumos da formação profissional em Gastronomia. Tive o prazer e o privilégio de escrever um capítulo em parceria com a colega de profissão e amiga Profa. Ms. Rosana Toledo, Coordenadora do Curso de Gastronomia da Universidade Cruzeiro do Sul. Refletimos sobre o currículo de Gastronomia nos cursos tecnológicos frente às exigências do mercado, do Ministério da Educação e dos próprios alunos. Segue um trecho de nosso capítulo:
"Já está bastante claro para os profissionais da área de gastronomia – docentes, chefs e restaurateurs - que a área de Gastronomia está em constante mutação e a forma como é encarada e interpretada acaba por recriar continuamente as necessidades do mercado. A assimilação de novas técnicas e, inclusive, “modismos” acabam por criar “novas gastronomias” a cada ano. Afinal, a Gastronomia apresenta marcante interface tanto com a ciência quanto com a arte, o que é bastante desejado quando analisamos o eixo temático no qual a Gastronomia está inserida".

Formação em Gastronomia: aprendizagem e ensino
Coordenadores: Carlos Eiji Tomimatsu e Silva Mello Furtado. Editora Boccato.
  • A Gastronomia e o seu papel na hospitalidade.
  • Um cardápio chamado carreira.
  • A preparação e o encaminhamento ao mercado de trabalho.
  • O currículo gastronômico: um universo a ser explorado.
  • O "estágio" e as "atividades complementares".
  • Um olhar sobre a formação dos professores de Gastronomia.
  • Pesquisa acadêmico-científica nos cursos superiores de Gastronomia no Brasil.
  • A cozinha brasileira, sua formação, definição e transformação.
  • Viagens gastronômicas: descobrir, provar e ensinar.
  • A importância dos estudos sensoriais na formação do chef de cozinha.
  • Gastronomia e saúde - além da qualidade de vida.
  • O ensino de cardápio para entender processos de gestão e comunicação.
  • Infraestrutura de uma escola de Gastronomia: arquitetura, conforto, logística e estética.

O livro pode ser adquirido na Livraria Gourmet, loja física ou virtual http://www.lojacooklovers.com.br/


Boa leitura!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Em tarde ser

Na última noite tive um sonho. Passeava por uma praia sem nome. O mar se quebrando em fúria, espumando, abraçando os ingênuos. Vi homens e mulheres em trajes de gala. Uma era não vivida. Sonho. Carros antigos e pessoas sem esperança. Vi pessoas indo e voltando. Circulando. Procurando; ou então, perdidas. Cada segundo se transformando em horas. Anos se passando em minutos. Lapso de tempo. Os ponteiros para nada serviam. Poesia. Ao longo do caminho, vi crianças com livros abertos. A areia arranhando seus pés descalços. O sol, agora amarelo, curtindo a fronte dos mais velhos. Por olhos entreabertos vi estranhos conhecidos; cumprimentei conhecidos nunca vistos. Esbarrava nas pessoas, o choque entre ombros. Antecipava e intuía. Vi uma fonte. Enterros e casamentos. Vales e montanhas. Caminho. Ruelas. Contornei uma pedra e subi por uma passagem íngreme. O vento quente às minhas costas. Mulheres nas janelas. Paredes caiadas. Velhas, descascadas. Pintura. Virei aqui e ali. Quase esquinas. Já no alto, contornei uma casa; uma árvore. Senti a erva fresca sob os meus pés. À sombra dos galhos, voltei meus olhos para a praia. Vi o mar agora pincelado de amarelo e laranja. Luz e sombra. Já nem dia, nem noite. Vazio. Um mar impressionista. Nada escutava. Vento ausente. Sozinho. Pessoa. Sentia. E aquilo me bastava.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A Palavra

Escrita ou falada. Pode ser gesto ou olhar. Toque ou empurrão. Até mesmo o não olhar, o não gesto. São palavras. O não. A recusa. A palavra não dita. Tem vida e corpo. Mesmo a não palavra. Delgada e escorregadia. Grossa e pesada. A palavra sem voz, inaudível. Um fiapo, uma nota. Ou o grito. O giz riscando a lousa. A palavra pode estar no fundo da xícara de café frio. A xícara entre dois. A palavra não dita. Pode estar na superfície das bolhas. Na fervura da água. Pode ser etérea. Vapor. Respirada. Inalada. Pode ser pingo ou borrão. A palavra pode ser entrecortada. Ou contínua como trilho de trem. Nó, emaranhado de fios. Pode ser o infinito. Ainda nó, sem começo nem fim. Um novelo infinito de palavras dentro de palavras. Alguma figura de linguagem fugidia. Significados. Pode ficar presa na garganta. Para todo o sempre. Mas, acima de tudo, palavra é liberdade. Mesmo a não dita. A que não teve a sua hora. Há um porém. A palavra deve ser prudente. Mesmo a não falada. A palavra-pensamento. Por isso, o ensaio. A palavra como forma de expressão, emoção, contenção. A palavra.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Bastidores


Tudo na vida tem uma história, não? Até a foto e o poema do post abaixo! No último final de semana participei de um curso de fotografia no M2 Photo Studio do meu aluno (quase ex) Valter Menezes. Sem câmera profissional e sem entender nada sobre técnicas e iluminação fui auxiliado pelos colegas que também participavam do curso. Mas na minha cabeça já tinha estabelecido toda a cena, o ambiente, a cor, os sons e cheiros. A foto veio, o poema surgiu e a música preencheu o ambiente...

Falando em Valter, vejam que bacana o Projeto Estrada Gourmet que ele idealizou. Aliás, é hoje que ele bota o pé na estrada!!!



Boa sorte Valter!!!