Espaço dedicado a pensamentos, poesias & devaneios. Sabor, comida, viagens, fotos, livros e o que mais der na telha (ou no forno).

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O ensino romântico

Como uma criança dando seus primeiros passos, posso dizer que tive uma semana de grandes revelações, tanto em minha vida pessoal quanto profissional. Tenho a cabeça cheia de idéias e pensamentos (ilusões também), mas, infelizmente, nem tudo o que pensamos pode ser rascunhado – fato agravado pela onda de mal entendidos que dominam o nosso cotidiano.
Já adianto que não serei claro nesse texto. Enfim, o pior defeito encontrado em um professor.

Sinto-me obrigado a dizer que, formalmente, não sou um educador, mas acredito na aprendizagem continuada e muito do que sei vem de experiências em sala de aula e do contato diário com alunos e professores de áreas diversas ao longo de nove anos de profissão. Obviamente, participo de grupos de discussão, oficinas, palestras e congressos que têm como tema principal a educação, ensino, aprendizagem etc.
Membro de um grupo quase extinto de românticos e ingênuos, choca-me saber que muitas relações profissionais são apenas pautadas em troca de favores. E isso se agrava, e muito, quando falamos em educação.
Na falta de definição melhor, posso dizer que tenho uma visão romântica sobre o ensino. Acredito na universalidade do ensino. Acredito no ensino como bem comum, como dádiva e não como moeda de troca. Só chegaremos a algum lugar com a união. Mas como vislumbrar a união em um mundo competitivo?
Tanto falamos em sustentabilidade e desenvolvimento sustentável, não? Mas como ser sustentável onde há competição e fortes interesses comerciais? É do Budismo Zen que retiro essa frase: “Onde não há apegos, como haveria hostilidade?”
Sinto que estamos usando a palavra cooperação em vão. E digo, sem receio de errar, que não há campo melhor para praticarmos a sustentabilidade e a cooperação como o ensino. Apenas não entendo porque é tão difícil.

“Nossa cultura não cultiva o que há de melhor ou mais nobre no espírito humano. Não cultiva a visão, imaginação ou a sensitividade visual ou espiritual. Ela não encoraja a gentileza, generosidade, cuidado ou compaixão. De maneira crescente, no final do século XX, a visão de mundo econômica-tecnocrática-estática tornou-se um monstro destruidor do que é mais caloroso e importante para a vida na alma humana.”
Ron Miller

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Das memórias e ilusões

Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória. José Saramago




Somos aquilo que recordamos e também o que resolvemos esquecer.
Iván Izquierdo


Afinal, o que é real?


Eu e os outros.




O que a memória ama fica eterno. Adélia Prado

Obras de Olafur Eliasson
Pinacoteca do Estado de São Paulo
2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Facebook

Hoje acordei com uma vontade secreta (ok...quase secreta). Acordei querendo ser outro.
- O outro?
- Não! Apenas outro. Não O OUTRO.
De frente para o espelho, cuidadosamente enfiei os dedos por debaixo da pele, mais ou menos ali no ângulo que a mandíbula faz com o pescoço e puxei.
Nem doeu. Puxei toda a pele. Vapt-vupt!
Joguei a pelanca na lixeira do banheiro (será que era reciclável? Puff...agora já é tarde).
Depois dessa manobra rápida, porém radical, uma dúvida pairou logo abaixo do teto do banheiro.
Mas e agora? Cadê o outro?
Olhei para o relógio, para a parede, para o espelho, para o chão...para a lixeira...
Coloquei minha roupa de ginástica. A calça apertada na cintura, a camiseta acompanhando algumas novas dobras. Ah...o tênis serviu direitinho. Afinal, sempre algo nos consola na vidinha diária.
Rapidamente desci as escadas e rumei para a rua, não sem antes sentir o olhar atravessado do Seu Antônio, o porteiro.
Saí à procura.
Algumas pessoas me encaravam. Curioso...não sei o que encaravam já que eu não tinha mais cara.
Muito magro; pele ruim; queixo muito comprido; olhos caídos; muito pálido; nariz torto. Putz...que dificuldade!
O dia inteiro perambulando, olhando, encarando (sim, EU posso encarar, quem não pode são os outros) e nada...
Que derrota voltar pra casa sem um rosto.
E agora nem ao menos posso ser eu, porque arremessei o eu na lixeirinha do banheiro.
O que me traz esperança é que amanhã será outro dia.
E se tudo der errado partirei para o plano B: máscaras. Isso mesmo, más-ca-ras.
Não disse que na vida sempre algo nos consola?

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

OVO

Por fim, somos casca. Fina. Como a dos ovos. Delicada, arredondada e porosa. Precisamos apenas decidir se permaneceremos casca. A dúvida é: Eclodir ou recrudescer? Somos apenas uma casca formada por vergonhas em todas as suas curvas. Vergonhas próprias. Vergonhas apontadas. Uma clausura de vergonhas encapsuladas. A dúvida permanece: Dormir eternamente como ovo ou espatifar-se ao chão?

domingo, 9 de outubro de 2011

sɐʇsıʇɹɐ sop ǝɯou ɯǝ



Dance to the Beat of a Different Drum Machine, de Mario Ybarra Jr.


New Religion - The Fate of Man, de Damien Hirst


Meet Me Around the Corner, de Dan Colen


Top Cruise, de Mike Bouchet


Vídeo Fervor, de Shirin Neshat


Saint Benedict, de Jeff Koons


The World With Unpainted Donkey, de Jason Rhoades


Drain, de Robert Gober


Act Natural, de Nate Lowman


Detalhe da obra Blue Placebo, de Felix Gonzales-Torres


Foto sem título, de Adam Putnam


Muddle, de Hannah Greely


Instalação de Kori Newkirk


Mother and Child Divided, de Damien Hirst


Last Stand, de Hannah Greely





Em Nome dos Artistas
Pavilhão da Bienal
São Paulo

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Multidão

"Houve um homem na cidade de Assis, que fica nos confins do vale de Espoleto, chamado Francisco"
(Tomás de Celano)