Papel e caneta no lugar de um teclado e um emaranhado de fios. A fina arte da escrita de cartas. Perdida desde o surgimento da carta eletrônica, dos comentários no blog, do sms, torpedos e afins.
Mas não é só isso. Creio que o desaparecimento das cartas não seja apenas conseqüência da simples troca de um pedaço de papel por um punhado de teclas.
A questão é que temos medo. Sim, medo do outro, medo das coisas duradouras, das marcas e cicatrizes. Medo de nos ver no papel, ali, com a nossa letra, um espelho manuscrito de nós mesmos. Afinal, arial 12 é igual para todos, no máximo um itálico para os mais poéticos, um negrito para os que gritam ou um sublinhado para os que pedem atenção.
Porém, (nos) colocar no papel é outra estória. Garranchos, rasuras e tortuosidades não são bem-vindas em um mundo atualmente anônimo.
No lugar das rasuras íntimas somos obrigados a conviver com os erros eletrônicos, com os corretores ortográficos automáticos, com a (falta de) emoção robotizada. É a desumanização das emoções, a prevalência do descuido, o esquecimento da delicadeza. É a omissão da vírgula e do acento, metafóricos ou reais.
Frases mal escritas, rabiscos sem emoção largados num mar de lixo eletrônico. Cartas para ninguém, mensagens que não aguardam resposta. Nada mais justo, pois, afinal, poucos sabem qual foi a pergunta, nem mesmo quem as fez sabe. E culpa-se a pressa, a bebedeira e a suposta emoção do momento.
Na rapidez das emoções eletrônicas (?) alguns crêem que ninguém os lê. Quanto mais rápido, melhor. Escreve-se para uma platéia ausente. Quem escreve? Alguém. Apenas alguém sem nome, sem rosto, sem coragem.
Carta é bem durável. Carta é emoção e intenção. Carta tem nome e sobrenome.
Mas não é só isso. Creio que o desaparecimento das cartas não seja apenas conseqüência da simples troca de um pedaço de papel por um punhado de teclas.
A questão é que temos medo. Sim, medo do outro, medo das coisas duradouras, das marcas e cicatrizes. Medo de nos ver no papel, ali, com a nossa letra, um espelho manuscrito de nós mesmos. Afinal, arial 12 é igual para todos, no máximo um itálico para os mais poéticos, um negrito para os que gritam ou um sublinhado para os que pedem atenção.
Porém, (nos) colocar no papel é outra estória. Garranchos, rasuras e tortuosidades não são bem-vindas em um mundo atualmente anônimo.
No lugar das rasuras íntimas somos obrigados a conviver com os erros eletrônicos, com os corretores ortográficos automáticos, com a (falta de) emoção robotizada. É a desumanização das emoções, a prevalência do descuido, o esquecimento da delicadeza. É a omissão da vírgula e do acento, metafóricos ou reais.
Frases mal escritas, rabiscos sem emoção largados num mar de lixo eletrônico. Cartas para ninguém, mensagens que não aguardam resposta. Nada mais justo, pois, afinal, poucos sabem qual foi a pergunta, nem mesmo quem as fez sabe. E culpa-se a pressa, a bebedeira e a suposta emoção do momento.
Na rapidez das emoções eletrônicas (?) alguns crêem que ninguém os lê. Quanto mais rápido, melhor. Escreve-se para uma platéia ausente. Quem escreve? Alguém. Apenas alguém sem nome, sem rosto, sem coragem.
Carta é bem durável. Carta é emoção e intenção. Carta tem nome e sobrenome.

























