Deletar é uma palavra nova, inventada, assim como blogar e tuitar. São anglicismos, neologismos ou qualquer outro ismo. Na verdade, essas definições pouco importam no contexto desse texto. Porém, gostaria, brevemente, de escrever um pouco sobre outro termo criado recentemente, e desprezado por grande parte da população – o politicamente correto. Pessoalmente, não simpatizo com essa expressão e considero inútil a criação desse termo, uma vez que nossos dicionários já contêm sinônimos suficientes. Respeito, tolerância e educação poderiam ser alguns deles.
Desde muito novo, sempre fui extremamente observador ao que acontece ao meu redor. Talvez esse seja um dos atributos (não direi virtude) que tenha me impulsionado à docência. Um texto, um filme, uma reportagem ou uma conversa assumem novas perspectivas quando analisados com calma e coerência – essas sim, virtudes conquistadas ao longo do tempo e após muitas cabeçadas.
Por trabalhar em uma grande universidade, convivo diariamente com centenas de indivíduos bastante distintos entre si – alunos, professores e funcionários. Seria uma grande mentira dizer que conheço todos pelo nome e que sei um pouco da vida de cada um. Muito pelo contrário, pouco ou nada sei. Pela grande diversidade ao meu redor, a atenção nas relações deve ser constante. E somam-se a esse cenário outras informações. São as dezenas de emails que recebo diariamente, mensagens trocadas nas redes sociais, além da leitura de sites e blogs. Afinal, tudo isso deve ser encarado com atenção, pois, apesar de invisível para mim, existe uma pessoa – homem ou mulher - que redigiu aquele email, aquela frase ou aquele texto.
Como encarar tudo isso? De que forma lidar com o conhecido e com o desconhecido? O volume de informação a ser processado é imenso, a possibilidade de um mal entendido é grande, mas algo deve prevalecer – o bom senso, a coerência, e acima de tudo, a tolerância. Isso não significa ser passivo e aceitar tudo o que nos é oferecido (ou vomitado, em alguns casos). Muitas vezes, surgem conflitos nas relações, o que é importante e necessário. Conflito não significa violência e muito menos guerra. O conflito pode ser o gancho para a aquisição de uma nova habilidade – entender o outro, ponderar e analisar o que de melhor pode ser feito naquele momento.
Cheguei onde queria. Venho observando que cada um diz o que bem entende, na hora e no momento que quiser. Isso é falado e escrito – é a conversa no corredor, no elevador, e também chega por email, twitter, facebook, blogs e afins.
Hoje, mede-se o outro pelo que nós somos. Cada pessoa acha que é o modelo a ser seguido. Esquecemos que somos diversos. É aí que vemos o descendente de europeu “matando” nordestinos nas redes sociais, o negro ridicularizando um judeu, a gordinha ofendendo o gay ou, então, o contrário para todos esses casos – aqui não existe o melhor e o pior, o certo e o errado. Devemos entender que não existe esse modelo. Devemos nos respeitar. E respeitar significa entender. Muitas vezes, como colocado acima, o conflito é gerado, e isso nada mais é do que a alavanca para o entendimento. Porém, esse conflito não deveria, em hipótese alguma, gerar ofensa.
Sinceramente, temo pelo desgaste das relações entre os homens. Temo que o poder e a ganância sobrepujem a igualdade, e temo que a soberba adquira mais brilho que a humildade.
Porém, ao mesmo tempo, percebo, por meio de conversas muitas vezes informais, que muitas pessoas, até então despreocupadas, estão voltando seus olhos para questões como a igualdade, o respeito e a tolerância.
Esse deveria ser o nosso Norte.
Em busca de um mundo melhor.