Escrita ou falada. Pode ser gesto ou olhar. Toque ou empurrão. Até mesmo o não olhar, o não gesto. São palavras. O não. A recusa. A palavra não dita. Tem vida e corpo. Mesmo a não palavra. Delgada e escorregadia. Grossa e pesada. A palavra sem voz, inaudível. Um fiapo, uma nota. Ou o grito. O giz riscando a lousa. A palavra pode estar no fundo da xícara de café frio. A xícara entre dois. A palavra não dita. Pode estar na superfície das bolhas. Na fervura da água. Pode ser etérea. Vapor. Respirada. Inalada. Pode ser pingo ou borrão. A palavra pode ser entrecortada. Ou contínua como trilho de trem. Nó, emaranhado de fios. Pode ser o infinito. Ainda nó, sem começo nem fim. Um novelo infinito de palavras dentro de palavras. Alguma figura de linguagem fugidia. Significados. Pode ficar presa na garganta. Para todo o sempre. Mas, acima de tudo, palavra é liberdade. Mesmo a não dita. A que não teve a sua hora. Há um porém. A palavra deve ser prudente. Mesmo a não falada. A palavra-pensamento. Por isso, o ensaio. A palavra como forma de expressão, emoção, contenção. A palavra.
A palavra é poderosa, para o bem ou para o mal :)
ResponderExcluirUm belo texto para acompanham uma bela música.
ResponderExcluirTão certas, as suas frases curtas. Nada sobra. Nada está a mais. E o que falta dizer é liberdade. Por ser libertador não conseguirmos dizer tudo. E assim escrevemos mais. Sempre mais um bocadinho. A ver se conseguimos dizer mais. Obrigada por mais um texto seu. Por mais um texto muito belo.
ResponderExcluirUm beijo.
Mar
PS: Tenho de lhe contar uma coisa. Mas tem de ser por email. É uma espécie de segredo transitório e tem a ver com a minha interrupção no blog, há umas semanas.
TP. Puro texto perfeito. Forte abraço apalavrado.
ResponderExcluirEste texto me lembrou uma música:
ResponderExcluirhttp://www.youtube.com/watch?v=aKBaI5uFrkg
Celina
Bergamo, acompanho já a algum tempo seu blog e, no penúltimo você colocou um lynk de um aluno seu, o Valter. Me inscrevi na página dele para receber as atualizações e no terceiro capítulo, onde ele vai ao bistro Je Thé...me. Ocorre então um comentário sobre a comida ser perfumada com uva branca, perfumada com azeite. Eu me perguntei "como assim perfumada?" o que significa este termo?
ResponderExcluirAbraço,
Paula Cristina.
Olá Paula!
ResponderExcluirNa verdade é uma licença poética. Quando usamos algo muito aromático nos pratos podemos usar esse termo. Não é um termo técnico, mas apenas uma forma de "poetizar" a comida.
Abraços,
Bergamo
Me apaixonei pelo blog.Adoro suas poesias acompanhadas pelas músicas.Elas são subjetivas e originais.Parabéns,seu talento pela escrita é admirável.
ResponderExcluirObrigadíssimo Michelle! Bj
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