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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Variations


O ar pesado e seco característico das empoeiradas noites da estação. Nada se move, nenhum galho ou folha. Noite quente, estranhamente quente. O som de carros distantes. Já não se ouvem passos ou vozes. É tarde.
A mesa de madeira já desgastada pelo tempo. A luz entrecortada pelos galhos da velha árvore ao lado do portão de ferro batido. Um perfume defumado se espalha pela casa.
Os olhares se cruzam. Nada precisa ser dito. Os gestos, os sorrisos disfarçados, o vinho, o reflexo dos talheres e das taças. Os leves toques acidentais. Mãos, pernas. Os pedidos de desculpas não ditos. O piano.
O anúncio de uma noite de outono.

11 comentários:

FPZero disse...

Olhares, sorrisos e toques...
Vinho, boa comida e um anúncio...
O anúncio de uma bela noite de Outono...

O mais incrível é a variação de pensamento ao ler o texto... Nas primeiras linhas encontrei a solidão... E só então percebi que não estava sozinho...

Acho que estou precisando de algumas noites de outono, rss...

Bergamo disse...

Olá Fernando! Gostei da sua leitura.
Abraços,
Marcelo

Vart disse...

Luz, som e poesia.
A interpretação do olhar de um artista, sobre sua forma de ver e registrar o mundo, poucas vezes é compreendida. Assim com ele também não é. Mais sua arte sempre mostra de forma clara e sem distorções o íntimo de sua alma.

Parabéns pela foto. que seja a primeira de muitas!

Bergamo disse...

Bonitas palavras Valter.
E obrigado! Sem o seu auxílio ela não existiria.
Abraços,
Marcelo

Joyce Galvão disse...

Estupendo, como sempre!

Silene disse...

Que romântico...

Bergamo disse...

Obrigado Joyce e Silene!
Beijo

Henrique Galli disse...

Invejando este jantar.

wair de paula disse...

Qualquer post com as variações Goldberg é uma covardia, acompanhado deste texto é uma epifânia. Abs!

Bergamo disse...

Henrique e Wair, seus elogios são sempre especiais.
Um abraço,
Marcelo

Mar disse...

Acho que gosto mais é do não dito do que escreveu. Essa ideia persistente das coisas que não se dizem. Das que não se conseguem dizer. Ou que não são para dizer. E sempre. E muito. Das variações Goldberg.
Escreva mais, sim?

Beijo.

Mar