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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

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Hoje acordei com uma vontade secreta (ok...quase secreta). Acordei querendo ser outro.
- O outro?
- Não! Apenas outro. Não O OUTRO.
De frente para o espelho, cuidadosamente enfiei os dedos por debaixo da pele, mais ou menos ali no ângulo que a mandíbula faz com o pescoço e puxei.
Nem doeu. Puxei toda a pele. Vapt-vupt!
Joguei a pelanca na lixeira do banheiro (será que era reciclável? Puff...agora já é tarde).
Depois dessa manobra rápida, porém radical, uma dúvida pairou logo abaixo do teto do banheiro.
Mas e agora? Cadê o outro?
Olhei para o relógio, para a parede, para o espelho, para o chão...para a lixeira...
Coloquei minha roupa de ginástica. A calça apertada na cintura, a camiseta acompanhando algumas novas dobras. Ah...o tênis serviu direitinho. Afinal, sempre algo nos consola na vidinha diária.
Rapidamente desci as escadas e rumei para a rua, não sem antes sentir o olhar atravessado do Seu Antônio, o porteiro.
Saí à procura.
Algumas pessoas me encaravam. Curioso...não sei o que encaravam já que eu não tinha mais cara.
Muito magro; pele ruim; queixo muito comprido; olhos caídos; muito pálido; nariz torto. Putz...que dificuldade!
O dia inteiro perambulando, olhando, encarando (sim, EU posso encarar, quem não pode são os outros) e nada...
Que derrota voltar pra casa sem um rosto.
E agora nem ao menos posso ser eu, porque arremessei o eu na lixeirinha do banheiro.
O que me traz esperança é que amanhã será outro dia.
E se tudo der errado partirei para o plano B: máscaras. Isso mesmo, más-ca-ras.
Não disse que na vida sempre algo nos consola?

6 comentários:

  1. Depois de ler várias vezes, percebo que no blog ficou diferente do email. Melhor do que li na primeira vez.

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  2. Mesmo depois de encontrar outro rosto... Será que a gente deixa pra lá o uso de máscaras?

    Saudade das nossas conversas sr. Bergamo...

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  3. Ah que texto legal! Já tive este sentimento, tantas, tantas vezes. Não sei se são máscaras, mas na vida tem sempre algo que nos consola. Para mim são duas coisas: o tempo e o silêncio. Beijos, adoro seus textos.
    Luciana

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  4. Bergamo, gosto mtos dos teus textos, faz refletir... Acho que o ser humano está cada dia utilizando máscara e nunca mostrando seu verdadeiro "eu", talvez o medo de ser julgado esteja impedindo...triste, isso. Mas confesso, vários dias acordei querendo outra pessoa rs Beijos Tereza

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  5. você é genial!!!um canto alquímico, cheio de sabor, cores, reflexões e humor.

    Feliz!

    estadodeentrega.blogspot.com

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  6. Obrigado a todos: Henrique, Fernando, Luciana, Tereza e Renata!
    Abraços,
    Bergamo

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