Acontece algumas vezes
De tempos em tempos
Ele tira a entidade de dentro de seu corpo
Não! Seria mais correto dizer que a entidade brota,
escorre através de todos os seus poros,
De tempos em tempos
Ele tira a entidade de dentro de seu corpo
Não! Seria mais correto dizer que a entidade brota,
escorre através de todos os seus poros,
como o suor das noites de verão
Assim que a entidade está livre
Ele a coloca a sua frente
Com o ínfimo domínio que tem sobre ela,
milimetricamente, a posiciona a sua frente,
Assim que a entidade está livre
Ele a coloca a sua frente
Com o ínfimo domínio que tem sobre ela,
milimetricamente, a posiciona a sua frente,
joelho contra joelho
A olha atentamente, agudamente
Mesmo sem tocá-la sente todos os seus ângulos e curvas
É assustadora
E corporifica tudo aquilo que não quer ver
Sem nem ao menos trocarem uma sílaba sequer,
A olha atentamente, agudamente
Mesmo sem tocá-la sente todos os seus ângulos e curvas
É assustadora
E corporifica tudo aquilo que não quer ver
Sem nem ao menos trocarem uma sílaba sequer,
a entidade sabe tudo sobre ele
Isso o descontenta, mas não existe qualquer possibilidade de fuga
E ele sabe que ela permanecerá algum tempo com ele
dias, semanas, meses talvez
Sentado
Ele observa o pingente de cristal multifacetado
Refletindo centenas de imagens
Cada imagem, uma lembrança
Uma memória, um sonho
Um desejo
Uma criação de sua mente
Um sentimento de seu coração
Vontades
O pingente apenas personifica o que há, o que é,
Isso o descontenta, mas não existe qualquer possibilidade de fuga
E ele sabe que ela permanecerá algum tempo com ele
dias, semanas, meses talvez
Sentado
Ele observa o pingente de cristal multifacetado
Refletindo centenas de imagens
Cada imagem, uma lembrança
Uma memória, um sonho
Um desejo
Uma criação de sua mente
Um sentimento de seu coração
Vontades
O pingente apenas personifica o que há, o que é,
o que foi
Já não sabe a diferença entre o real e o imaginário
Mas lamenta que o passado não retornará
Lamenta que o presente é uma mentira
Lamenta que o futuro é frágil, duvidoso, delgado
Não assimila qualquer imagem
Não toca nenhum corpo ou objeto
Apenas observa
Todos os dias
Ele observa a mesma cena
Um deles permanece firme,
no aguardo de um resultado impossível
O outro permanece firme também,
com a certeza de um fracasso verdadeiro
No outro dia a mesma cena.
Já não sabe a diferença entre o real e o imaginário
Mas lamenta que o passado não retornará
Lamenta que o presente é uma mentira
Lamenta que o futuro é frágil, duvidoso, delgado
Não assimila qualquer imagem
Não toca nenhum corpo ou objeto
Apenas observa
Todos os dias
Ele observa a mesma cena
Um deles permanece firme,
no aguardo de um resultado impossível
O outro permanece firme também,
com a certeza de um fracasso verdadeiro
No outro dia a mesma cena.
No outro...no outro...no outro...
Resta pouco para um. Essa é uma verdade.
O que resta para o outro? Apenas a dúvida.
Resta pouco para um. Essa é uma verdade.
O que resta para o outro? Apenas a dúvida.





























