Paris, a cidade luz, a cidade dos cafés, das boulangeries, do excesso de cigarro, das baguetes embaixo do braço, de vinhos bons e baratos (talvez duvidosos), das jóias nas vitrines das pâtisseries. Paris, a cidade das meninas lindas e magras, mesmo com os cabelos desgrenhados (ou, então, por causa deles é que são mais lindas), de rapazes bonitos e com estilo. Mesmo que o estilo seja usar xadrez, listrado e bolinhas na mesma roupa. A cidade onde você não precisa ter vergonha de usar óculos. A cidade das fantásticas perfumarias, das grandes grifes e de vestidos com vários zeros antes da vírgula. A cidade da cachorrada simpática nos restaurantes, na porta do açougue, nas lojas boutique. E também a cidade do povo mal humorado, sempre correndo pelas ruas e com cara de desolado. Mas, por fim, compensa.
Bom, o post é sobre comidinhas. Enfim, sou obrigado a confessar que tenho uma super preguiça de dar dicas sobre comida – são tantos sites e blogs que já fazem isso, e, diga-se de passagem, bem melhor do que eu faria. E, cá entre nós, comida se sente, comida entranha em nossos poros e papilas; por mais que uma foto seja perfeita, nada substitui o cheiro do pão assado, de uma sopa quente, o peso do vinho na língua, a textura de uma mousse e o
clac do chocolate sendo quebrado. Ah, e a baunilha, sempre a baunilha. Comida se sente, e se escuta...o barulho da louça, dos talheres, das taças, o prato limpo e sujo ao final da comilança, isso tudo faz a diferença.

Das boas experiências: bistrozinhos desajeitados como todos, onde se come uma boa tarte, uma boa salada, aligot e saucisse. Uma portinha com uma deliciosa e despretensiosa crepe no Marais. O famoso falafel no mesmo bairro. Os pratos de queijos ao final da refeição e os pães que acompanham as entradas, os pratos e as sobremesas (não...pães nas sobremesas não...rs). E, o café, sempre fraco, ou então, sempre pedi errado. Dos grandes restaurantes, guardo ótimas recordações do L’Atelier de Joel Robuchon e do Jules Verne na Torre Eiffel (acho que isso merece mais um post).

Pâtisseries e traiteurs, fui a vários. O mais do que famoso Pierre Hermé; Aoki e seus doces com matcha; Ladurée e seus indescritíveis macarons; as clássicas Dalloyau e Lênotre; os canéles da Baillardran; a lendária Stohrer; a Fauchon e sua éclair Joconde; La Grande Épicerie - um quase hipermercado de boas coisas. E todas as vitrines que fiquei admirando pelo lado de fora. Afinal, até as pâtisseries desconhecidas se esmeram na finalização de suas produções. Quanto a isso, temos que tirar o chapéu aos franceses – o cuidado com a finalização dos doces e pratos é extrema. Mesmo no simples, vemos um cuidado especial. O que posso dizer mais?

Guarde seus trocadinhos, se organize e escolha uma boa companhia. Comendo crepe na rua ou almoçando nas alturas, tenho certeza que você não se arrependerá ;)