Espaço dedicado a pensamentos, poesias & devaneios. Sabor, comida, viagens, fotos, livros e o que mais der na telha (ou no forno).

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A voz do povo ou o poder da democracia

Comentários deixados no post Servimos bem para servir sempre:

Enquanto isso, na "sala de justiça", el pueblo padece de fome ! Burgueses miseráveis !

Por favor "Sr. Bergamo", seja DEMOCRÁTICO e publique meu comentário.Viva a liberdade de expressão.

Recado ao anônimo: sou totalmente a favor da liberdade de expressão. Uma pena que na maioria das vezes a expressão não tem nome nem face. Porém, seu comentário tem uma boa dose de sarcasmo, uma virtude (ou defeito) que aprecio.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Gabinetes de Curiosidades


"O verdadeiro guaraná Jesus, garrafadas e defumadores, pau-tenente e saracura-mirá, Bará, Oxóssi, Xangô, Menino-Deus no presépio, guaiamum, pirarucu, salmão, chocalho, apito, berimbau, açaí, farinha, cajá, azeite espanhol, queijo suíço, roupas, calçados, adereços, buchada de bode, baião de dois - a diversidade, o curioso, o útil, o necessário, tudo ocupa os corredores de um só lugar: o mercado."
Mercados do Brasil: de Norte a Sul
Fotografias de Cyro José Soares




domingo, 22 de agosto de 2010

Ainda penso em comida

Penne com tomates, aspargos e mussarela de búfala

Eu sei que sou massacrado porque nunca dou receita de nada e nem explico como preparar. Juro, não é nada pessoal, e muito menos tento esconder segredos (seria o fim para um professor, não é?). É preguiça...e, na verdade, acho tudo bem simples...nada que necessite de receitas, mas, aí vai. Tudo meio sem medida...afinal, hoje é domingo!!!

1. Sue três dentes de alho picados em bastante azeite.
2. Salteie nove tomates italianos sem pele e sem sementes cortados longitudinalmente em quatro partes.
3. Tempere com sal e pimenta do reino moída na hora.
4. Transfira para um bowl.
5. Um pouquinho mais de azeite e salteie os aspargos cortados em três partes (os aspargos foram branqueados - cozidos rapidamente em água com sal).
6. Tempere-os com sal e pimenta também.
7. Junte os aspargos e os tomates.
8. Adicione algumas folhinhas de manjericão frescas.
9. Acrescente mini penne cozido previamente (cozinhei 300 g de massa seca).
10. Por fim, acrescente 300 g de mussarela de búfala - usei a mussarela em bolas, cada uma cortada em quatro partes.
11. Misture tudo muito bem, retifique o sal e a pimenta se necessário. Regue com um fio de azeite e seja feliz.

Obs.: Peço desculpas, mas não consigo escrever mussarela com ç. Mussarela com ç parece alguma doença, ou alguma gororoba com sabor rançoso.


Radicchio gratinado com farinha de pão e Grana Padano

1. Unte com manteiga um recipiente que possa ir ao forno.
2. Arrume o radicchio cortado em pedaços grandes.
3. Tempere com sal e pimenta do reino moída na hora (usei sal Maldon).
4. Cubra com cubinhos de manteiga.
5. Polvilhe uma quantidade generosa de farinha de pão e Grana Padano misturados.
6. Leve ao forno até gratinar.

Simples, bom. Afinal, quase tudo fica bom gratinado. Gratino tudo o que posso: brócolis, aspargos, endívias, pensamentos, emoções, etc, etc, etc...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Caldo de pedras

"Iam de jornada dois reverendissimos e nédios varatojanos, os quaes, segundo a regra da ordem, apenas levavam comsigo, para as despezas do transito, a benção do provincial e um cajado de zambujeiro para se abordoarem.
Pela volta do meio dia, começando a fome a apertar com elles, decidiram entrar num cazalinho que ficava a beira da estrada, a pedir, por caridade, ao lavrador, umas sopinhas ou coisa que o valesse.
Porém só encontraram no cazal uma rapariguita que lhes disse que o pae e a mãe andavam nos campos, e que não tinha para dar-lhes senão pão secco e agua do pote.
- Não importa, voltou um dos reverendos, que já deitara o rabo do olho pela cozinha e vira o que quer que fosse que não era pão secco; nós faremos um caldinho de pedras, para molharmos o pão...
- Caldo de pedras! exclamou a rapariga admirada.
- Sim, redarguiu o varatojano; é cá uma receita milagrosa que possuimos...Só precisamos de uma pouca de agua e duas pedras da calçada, bem lavadinhas...O resto fica por nossa conta...
A saloia, estupefacta, foi buscar dois calháus ao quintal, e, depois de os lavar cuidadosamente, apresentou-as ao frade. Este encheu uma panella d'agua, deitou-lhes as pedras para dentro e poz tudo ao lume, dizendo á pequena:
- Deite-lhe agora umas pedrinhas de sal.
A rapariga obedeceu.
Dentro em pouco a agua começou a ferver, e então o frade varatojano pegou uma colhér e fez menção de provar.
- Estão ainda durinhas...disse elle, não ha por ahi alguma verdura no quintal? As hervas ajudam a cozer os calháus...
- Temos couves, repolho, nabos, cenouras...respondeu a crédula rapariga.
- É exactamente o que precisamos...
A saloiasita sahiu á horta e voltou ajoujada com duas couves, um louro repolho, seis rubidas cenouras e dois opulentos nabos; o que, tudo lavado e preparado convenientemente, foi deitado pelo frade para dentro da marmita.
As pedras, porém, ainda estavam duras, no dizer do outro religioso, que as tacteou com um garfo.
- Ó servinha de Deus, não nos poderias dar uma rodita d'aquelle excellente paio, que alli vejo dependurado...a gordura amaciará as pedras num instante...
- Essa é boa, sr. padre! voltou a rapariga accedendo imediatamente ao pedido.
E o fradalhão cortou uma formidavel rodela de paio, que foi logo para dentro da panella.
Mas n'isto, o outro reverendo, olhando com seraphica expressão para um rubicundo prezunto, que estava na prateleira junto da chaminé, disse para o companheiro:
- Para os calháus ficarem macios como manteiga...só lhe faltava uma aparinha d'aquelle prezunto...
- O sr. padre, se precisa tambem de prezunto para adubar as pedras, póde tirar...
O frade não quiz ouvir mais nada; foi-se ao prezunto, tirou-lhe uma grossa fatia, que mergulhou logo na marmita.
- Muito bem. Esperemos que as pedras cozam...
E, volvida boa meia hora, o reverendo provou o caldo e exclamou:
- Está prompto, vamos para a mesa!
As pedras foram servidas n'um prato, sobre as hortaliças e ladeadas pelo paio e pelo prezunto. No caldo migaram os venerandos fradalhões dois pães saloios, e saborearam tudo em louvor de S. Francisco, deixando apenas...os calháus.
- Vossas reverendissimas não comem as pedras? perguntou a pequena, na melhor boa fé.
- Não, menina; a nossa apertada ordem não nos permitte senão que lhes bebamos os caldos...São magros, em verdade, mas com a penitencia é que se ganha o reino do céu!
- Amen! resmungou o outro reverendo.
- Louvado seja Deus! exclamou a innocente camponeza, cada vez mais admirada, ao vel-os partir; e engordam estes santos padres com tão fraco alimento!"

Receita de caldo de pedras da lavra do escriptor portuguez C. Marianno Fróes (fonte: A Mesa e a Sobremesa, de Rosaura Lins. Monteiro Lobato & Cia, 1928)

domingo, 8 de agosto de 2010

Servimos bem para servir sempre


Dia dos Pais
2010

Arroz de Bacalhau


Camarões no azeite com tomatinhos, alho e manjericão


Brócolis gratinado com Grana Padano


Torta de morango com creme
(receitas da massa e do creme estão aqui)

Café, licor....passos cuidadosos, e vamos indo!!!


Agradecemos a preferência.

Volte sempre!!!

sábado, 7 de agosto de 2010

Lembranças de uma viagem

Conhecer o diferente nos desestrutura. É como um balde de água fria arremessado no meio da nossa cara. O choque e o frio seguido de um inexplicável calor. Conhecer o diferente é assim, simples e cru.
O que sentimos quando tocamos o diferente? Repulsa e medo. E aquela pergunta: por que estou aqui?
Bate aquela vontade de sumir, desaparecer no ar. Desconforto; essa é a sensação, o sentimento, a palavra. De tão presente conseguimos apalpá-lo. O Desconforto.
O medo do desconhecido. O medo do inédito. O incômodo do desconforto. E se tudo der errado? Seguindo a lógica de uma fórmula matemática, o “dar errado” trava, bloqueia.

São apenas lembranças de uma viagem.
Quem viajou? Não importa.
Para onde viajaram? Também não importa.

Perguntamos demais em um mundo onde a maioria de nós é incapaz de escutar as respostas.

O cheiro era outro; os rostos, outros. Outros, os olhares. E o pior estava por vir. Outra maneira de pensar. Quem sabe, outras sinapses, outras memórias, outras reminiscências. Muitos outros e outras, numa cansativa troca do outro pelo outro. Isso é o diferente. É o outro que, aparentemente, configura o desconhecido.

Uma pobreza humilde. Uma generosidade transparente. Não é fácil encarar a simplicidade nua e crua. À primeira vista, dói. Causa dúvida, estranheza. De imediato, desconforta. Em nossa eterna procura pelo conforto, não é fácil ser desconfortado.

Agora é: lutar ou fugir.

Conhecer o diferente é permitir que o desconhecido se entranhe em nós. Entender o diferente é respirar o ar que o outro respira. Comer o que ele come. Beber a água que ele bebe. Para absorver o outro, devemos nos dar. Doar-nos ao desconhecido. Expiar nossas culpas, sacrificar nossos sentimentos.

Transparência, humildade, abnegação. Santíssima trindade.

domingo, 1 de agosto de 2010

[emoção art.ficial 5.0]

Regras simples
geram comportamentos
complexos e imprevisíveis

Cores

"Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!"

Adriana Calcanhoto