Reflexões após leitura de Peter Senge.
Percebo que, na maioria das vezes, fui ludibriado por um ensino deficiente que já repetia erros do passado. Muito mais entristecedor é o fato de nos olharmos no espelho e vermos que fazemos sempre tudo igual, e que esse padrão de erro continua sendo perpetuado. Por que? Assim é mais fácil? Não sabemos fazer diferente? Não nos apóiam em nossas tentativas de mudanças?
Vivendo em uma sociedade que apenas pensa em produzir infinitamente (sabe-se lá o que), as personalidades ficam borradas, as individualidades não são respeitadas e tudo passa por um processo de pasteurização. O sentido de grupo perde a sua razão de existir – você passa a ser aquele que aperta o parafuso, e só; o outro é aquele que junta os parafusos na caixa, e só; outro ainda juntará as caixas, e só.
Eu não vejo o outro, o outro não me vê.
Aprendemos e ensinamos fragmentos, e infelizmente não temos noção do “todo”, do conjunto, e não sabemos como os fragmentos interagem. Obviamente, não é fácil juntar esse quebra cabeça. E ninguém disse que seria fácil.
Muitos têm vislumbres de todo o sistema e intuem o “todo”, mas a mudança é um processo árduo. Pensamos: melhor deixar como está; damos de ombros e continuamos nosso caminho.
Por fim, sob uma ótica bastante pessimista, como em um filme de ficção científica, nos comportamos como replicantes – robôs treinados a desempenhar uma tarefa e que tentam se passar por humanos.
Vivemos tecnologia – wifi, LED, iPad, iPhone, kindle, 3G, 4G – mas no fundo respiramos o pó da era industrial. A era industrial deixou suas marcas profundas em todos os cenários – em nossos relacionamentos, nossas casas, famílias e escolas. Somos replicantes e nossas escolas, em sua grande maioria, são cópias fiéis de fábricas. As escolas não deveriam existir para consertar – afinal não somos coisas que precisam de conserto. A era industrial jogou pó sobre uma verdade inerente a qualquer ser vivo - a aprendizagem acontece no dia a dia, mediante a interação corpo-mente-ambiente. Para a máquina existe o sim e o não (funciona ou não funciona), mas na vida não existe apenas uma verdade. Afinal, é um erro dizer que apenas aquilo que vemos é o que existe.
A mudança surgirá a partir do momento que tivermos dúvida, a partir do momento que nos questionarmos, a partir do momento que nos entendermos – eu+você+ambiente – como um sistema vivo.
“Todos devemos deixar qualquer coisa atrás de nós, ao morrermos, dizia o meu avô. Um filho, um livro, um quadro, uma casa, uma parede ou um par de sapatos. Ou ainda um jardim plantado de flores. Qualquer coisa que a mão tocou e para onde irá a alma no instante da morte. E quando as pessoas olharem essa árvore ou essa flor que plantamos, nós estamos lá, sob os seus olhos. Pouco importa o que se faça, dizia ele, desde que, ao tocar essa coisa, ela se transforme, do que era, à nossa semelhança. A diferença entre o homem que apara a relva e o verdadeiro jardineiro reside na maneira de tocar nas coisas, dizia ele. O homem que corta a relva, desaparece; o jardineiro ficará presente toda a sua vida."
Fahrenheit 451, Ray Bradbury