Espaço dedicado a pensamentos, poesias & devaneios. Sabor, comida, viagens, fotos, livros e o que mais der na telha (ou no forno).

terça-feira, 27 de julho de 2010

Como um pássaro

Obra de Evandro Carlos Jardim

"(...) Você deve passar pelo mundo assim como um pássaro passa pelo céu. O vôo deve ser lindo e, depois que terminar, o céu deve continuar."
Ailton Krenak

Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - MASP, São Paulo/SP

domingo, 25 de julho de 2010

Cosmografia


"Olhai bem a vossa mente, nela na certa
Encontrareis mil regiões não descobertas.
Percorrei-as, que assim sereis um dia
Conhecedor da própria cosmografia."

Henry D. Thoreau

sábado, 24 de julho de 2010

A ficção científica em nossas vidas e nas escolas


Reflexões após leitura de Peter Senge.

Percebo que, na maioria das vezes, fui ludibriado por um ensino deficiente que já repetia erros do passado. Muito mais entristecedor é o fato de nos olharmos no espelho e vermos que fazemos sempre tudo igual, e que esse padrão de erro continua sendo perpetuado. Por que? Assim é mais fácil? Não sabemos fazer diferente? Não nos apóiam em nossas tentativas de mudanças?
Vivendo em uma sociedade que apenas pensa em produzir infinitamente (sabe-se lá o que), as personalidades ficam borradas, as individualidades não são respeitadas e tudo passa por um processo de pasteurização. O sentido de grupo perde a sua razão de existir – você passa a ser aquele que aperta o parafuso, e só; o outro é aquele que junta os parafusos na caixa, e só; outro ainda juntará as caixas, e só.

Eu não vejo o outro, o outro não me vê.

Aprendemos e ensinamos fragmentos, e infelizmente não temos noção do “todo”, do conjunto, e não sabemos como os fragmentos interagem. Obviamente, não é fácil juntar esse quebra cabeça. E ninguém disse que seria fácil.
Muitos têm vislumbres de todo o sistema e intuem o “todo”, mas a mudança é um processo árduo. Pensamos: melhor deixar como está; damos de ombros e continuamos nosso caminho.
Por fim, sob uma ótica bastante pessimista, como em um filme de ficção científica, nos comportamos como replicantes – robôs treinados a desempenhar uma tarefa e que tentam se passar por humanos.
Vivemos tecnologia – wifi, LED, iPad, iPhone, kindle, 3G, 4G – mas no fundo respiramos o pó da era industrial. A era industrial deixou suas marcas profundas em todos os cenários – em nossos relacionamentos, nossas casas, famílias e escolas. Somos replicantes e nossas escolas, em sua grande maioria, são cópias fiéis de fábricas. As escolas não deveriam existir para consertar – afinal não somos coisas que precisam de conserto. A era industrial jogou pó sobre uma verdade inerente a qualquer ser vivo - a aprendizagem acontece no dia a dia, mediante a interação corpo-mente-ambiente. Para a máquina existe o sim e o não (funciona ou não funciona), mas na vida não existe apenas uma verdade. Afinal, é um erro dizer que apenas aquilo que vemos é o que existe.
A mudança surgirá a partir do momento que tivermos dúvida, a partir do momento que nos questionarmos, a partir do momento que nos entendermos – eu+você+ambiente – como um sistema vivo.

“Todos devemos deixar qualquer coisa atrás de nós, ao morrermos, dizia o meu avô. Um filho, um livro, um quadro, uma casa, uma parede ou um par de sapatos. Ou ainda um jardim plantado de flores. Qualquer coisa que a mão tocou e para onde irá a alma no instante da morte. E quando as pessoas olharem essa árvore ou essa flor que plantamos, nós estamos lá, sob os seus olhos. Pouco importa o que se faça, dizia ele, desde que, ao tocar essa coisa, ela se transforme, do que era, à nossa semelhança. A diferença entre o homem que apara a relva e o verdadeiro jardineiro reside na maneira de tocar nas coisas, dizia ele. O homem que corta a relva, desaparece; o jardineiro ficará presente toda a sua vida."
Fahrenheit 451, Ray Bradbury

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Espelhos

"Vamos, agora a caminho; e, para começar, vamos construir uma fábrica de espelhos e não pôr em circulação senão espelhos, durante um ano, e observarmo-nos longamente neles."

Fahrenheit 451, Ray Bradbury

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Finalmente a porta do elevador se abre.
Ignorando a presença dos estranhos de todo dia
caminha apressadamente pelo corredor.
Tateia os bolsos,
e do meio do emaranhado de pequenos papéis dobrados puxa a chave.
“A chave do meu templo”, ele pensa com alívio.
Um gesto que se repete há tantos anos, como o tic tac do relógio.
Acende a luz da sala, e se desarma. Afinal, é assim que se sente.
Mas hoje tudo está diferente.
As cores das paredes foram trocadas,
Os móveis são outros,
e esses outros ocupam outros lugares.
Outros são os cheiros de seu apartamento.
As luzes são outras,
outro brilho, outros reflexos.
Nem mais escuro, nem mais claro, apenas outro, outras.
Num desespero plácido, procura um espelho,
Rendido, vê um quase outro rosto.
Marcado; ainda belo, cortado por estradas, caminhos e vielas.
O olhar?
Permanece o mesmo.
Como pedras semipreciosas jogadas no barro após uma tarde quente de chuva,
embaçadas pela lama, brilhantes pela luz do sol.
O mesmo.

terça-feira, 20 de julho de 2010

A Linguagem da Natureza


Reflexões após leitura de Fritjof Capra.

Nada é estático, linear ou encontra-se engessado. Nosso grande erro é entender as relações humanas como um sistema imutável, uma caixa de lados idênticos. Muito pelo contrário, nossas relações (extrapolando as relações a múltiplos cenários) fazem parte de um sistema não-linear, uma vez que pertencemos a um sistema vivo, complexo e cheio de ramificações interdependentes.
A sociedade atual, que preza a quantidade em detrimento à qualidade, e que maximiza no lugar de otimizar nos faz crer que o grão é a essência, porém, o que constitui a máquina motriz de nossas vidas é o sistema - com seus padrões e processos de interação. O grão é importante e essencial, mas é apenas uma parte desse sistema. Uma bactéria, uma folha, um músculo, os animais, nós e nossos microcosmos (casas, escolas etc) – tudo e todos fazem parte das comunidades de organismos, um sistema vivo interdependente.
Segundo Fritjof Capra, em Alfabetização Ecológica: a educação das crianças para um mundo sustentável (Cultrix, 2006), essa forma de ver e entender o mundo permitiu o sustento dos povos tradicionais por milhares de anos, porém, hoje é difícil pensar em termos sistêmicos, pois a tradição científica encontra-se baseada no pensamento linear enquanto que os sistemas vivos são não lineares.
Para que possamos entender a sociedade de maneira não-linear precisamos mudar nosso ponto de vista, focando o todo, o contexto, o sistema. Segundo Capra: das partes para o todo; dos objetos para as relações; do objetivo para o contextual; da quantidade para a qualidade; da estrutura para o processo; do conteúdo para o padrão.
Em uma sociedade como a nossa, massificada e auto escravizada em busca da parte, do objeto e da quantidade, fica difícil observar a existência de uma rede - um fluxo dinâmico, porém equilibrado.
Distanciarmo-nos da natureza ofuscou a possibilidade do entendimento da rede. A observância do padrão de organização visto na natureza pode e deve servir de exemplo para nos entendermos como seres codependentes – eu e o outro, eu e o meio ambiente.
Para tanto, como membros desse sistema, devemos entender que cada parte da rede contribui com o objetivo comum, ou seja, nada é propriedade individual. Existem redes dentro de redes, microcosmos que espelham o que acontece lá fora, e mudanças em uma esfera envolvem uma ou mais esferas. Devemos aceitar a interdependência, e não o parasitismo – comum em uma sociedade acostumada em receber o produto pronto. A mesma sociedade que incentiva a padronização, esquecendo que somos seres plurais interconectados. Entender que fazemos parte de um sistema vivo significa aceitar que não estamos no topo da cadeia, mas pertencemos a uma cadeia circular, cíclica e dinâmica.

"A vida depende da vida.
Todos comemos e somos comidos.
Quando nos esquecemos disso, choramos;
quando nos recordamos disso,
podemos nutrir uns aos outros."

(Preceito Budista)

domingo, 18 de julho de 2010

Sessão pequenos prazeres: trens, poesia, banana e chocolate

Estação Júlio Prestes, SP


Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)



Bolo de Banana com gotas de chocolate

Ingredientes
250 g de farinha de trigo
250 g de açúcar refinado
10 g de fermento químico
8 g de sal refinado
3 ovos inteiros
125 g de manteiga sem sal derretida
60 ml de mel
200 g de banana madura amassada
180 g de gotas de chocolate meio amargo
60 g de nozes pecan tostadas e picadas grosseiramente
Raspas de uma laranja
1 col. de chá de essência de baunilha

Modo de preparo
1. Peneire a farinha, o açúcar, o fermento e o sal e reserve em um bowl.
2. Misture os ovos, o mel, a manteiga derretida, a essência de baunilha e as raspas de laranja em outro bowl.
3. Incorpore essas duas misturas delicadamente com um pão duro.
4. Acrescente a banana amassada, as nozes e as gotas de chocolate.
5. Transfira a massa para formas de bolo inglês revestidas com papel manteiga.
6. Asse até firmar e dourar.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O que há por trás de um prato de comida?

Abrir vários livros, fazer pesquisas na internet, montar um cardápio, pegar o carro, ir ao supermercado, escolher os ingredientes mais apetitosos, pagar por eles, voltar pra casa, preparar os alimentos transformando-os em pratos fantásticos e convidar os amigos para o jantar. Nossa!!! Quanta coisa está envolvida no preparo de uma simples refeição. E jamais paramos para pensar como nos encontramos conectados a milhares de pessoas em cada uma das nossas ações cotidianas.

Os pratos degustados pelos meus amigos mostram muito mais do uma simples combinação de sabores – nos mostram que somos corresponsáveis por todas as etapas que esse alimento percorre até chegar a minha cozinha. E não paramos por aí, temos inclusive uma parcela de responsabilidade no que se refere aos resíduos gerados ao final do jantar.

Toda essa história chega a ser perturbadora, mostrando que devemos abrir nossos olhos para o que ocorre além das prateleiras das lojas e dos supermercados. O alimento – item essencial para a sobrevivência de todo e qualquer ser vivo – nos faz pensar um pouco sobre o que estamos fazendo dentro de nossas cozinhas, cenário que pode facilmente ser transposto para qualquer outro aspecto de nossa vida.

Ao comprarmos um alimento raramente pensamos em como ele foi cultivado ou produzido, se o solo foi danificado, se o agricultor recebeu seu salário dignamente. Caso o alimento não seja orgânico, jamais saberemos a quantidade de defensores agrícolas que o alimento recebeu. Rótulos? Raramente os lemos. Em adição, de onde vem o alimento que consumimos? Que meios de transporte foram utilizados?

Hoje, gastronomia é moda. Quantos dos ingredientes usados nos restaurantes e até mesmo em nossas mesas não são importados? Sabemos menos ainda sobre esses. E por que utilizá-los em detrimento dos nossos? Muitos ingredientes brasileiros estão desaparecendo de nossas mesas pela falta de procura. Todos conhecem o arroz arbóreo, mas poucos ouviram falar do arroz vermelho. Pinoli? Ah sim, caro, gostoso, importado. Baru? O que é isso?

Consumimos de forma desenfreada não apenas roupas, bolsas, carros, tecnologia, mas também alimentos. Não paramos para pensar se realmente precisamos de tudo o que ocupa espaço em nossa geladeira. Estamos com a despensa sempre cheia, prontos para servir mais pessoas do que as que vivem em nossa casa. Não nos preocupamos com o descarte desses alimentos, e também não nos importamos com o impacto que as embalagens causam ao meio ambiente.

Dominando o topo da cadeia alimentar, estamos sempre prontos para consumir mais, sem pensar nos processos “extracozinha” envolvidos na preparação do jantar que oferecemos aos nossos amigos. Afinal, o campo e o aterro não são assuntos para o jantar. Que venha a indigestão!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Esfrega, espreme, salpica, rega


Mais pessoas que cadeiras, pouca comida para tantas bocas, pouco espaço para tanta gente.

Mas, no fim, tudo se resolve.
Nervosismo desnecessário.

Esfrega, espreme, salpica, rega...tão bonito ver todos produzindo sua própria comida.

Pouco importa se é tomate, batata, aspargo ou trufa. Cominho ou açafrão. Sardinha ou foie gras.

O mais importante é a boa vontade, o sorriso no rosto e as conversas ao redor da mesa.

pa amb tomaquèt

terça-feira, 6 de julho de 2010

Transformar o Coração

Certa vez, um mago que atravessava uma floresta encontrou um pequeno camundongo que, tomado pelo medo, tremia convulsivamente. Inquirido sobre a causa do pânico, ele disse que se devia à presença dos gatos na floresta.
Apiedado, o mago o transformou num gato, imaginando que assim estaria ajudando o infeliz camundongo a se livrar de seu medo.
Passados uns dias, em um novo encontro, o agora gato se encontrava exatamente na mesma situação anterior, explicando que, desta vez, o medo que tomava conta dele se devia à presença dos horríveis cães da floresta.
Mais uma vez, querendo ajudá-lo através de suas artes mágicas, o mago o transformou em um cão de aparência feroz. Mas transcorridos mais uns dias, para sua surpresa, o agora cão tremia da cabeça aos pés, manifestando que continuava aterrorizado pela presença dos tigres da floresta.
Tentando dar uma solução final para o problema que se alongava em demasia, o mago o transformou desta vez dando-lhe a aparência de um tigre feroz.
No entanto, em mais um encontro, o agora tigre estava exatamente nas mesmas condições anteriores. Desta vez a causa do medo se devia à presença de caçadores.
Depois de meditar alguns instantes o mago o transformou novamente em um camundongo, dizendo: “não adianta mais te transformar, pois continuas tendo o coração de um camundongo”.

Texto de autor desconhecido, retirado de um folder do Centro de Estudos Filosóficos Palas Athena.

domingo, 4 de julho de 2010

Petit four. Quem gosta?


Pineapple Tea Cakes
Modificado a partir da receita de François Payard, em Simply Sensational Desserts

Ingredientes
250 g de pasta de amêndoas (pasta preparada com partes iguais de amêndoas e açúcar, comprada pronta na Dean & DeLuca, NY)
15 g de geléia de damasco
75 g de ovo inteiro (1 1/2 unidade)
1 gema
30 g de farinha de trigo
60 g de manteiga derretida
1 col. de chá de essência de baunilha
Cubinhos de abacaxi em calda
Açúcar cristal para polvilhar

Modo de preparo
1. Na batedeira, com a raquete, bater a pasta de amêndoas com a geléia até amaciar.
2. Adicionar os ovos e a gema e bater até incorporar.
3. Acrescentar a essência de baunilha.
4. Fora da batedeira, acrescentar a farinha de trigo e a manteiga.
5. Transferir a massa para forminhas revestidas com papel.
6. Colocar um cubinho de abacaxi em calda em cada bolinho.
7. Polvilhar açúcar cristal.
8. Assar até dourar.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Per gli Ucelli





Per gli Ucelli, 2010
Instalação de Vera Chaves Barcellos



Pinacoteca do Estado de São Paulo
- Praça da Luz, 2 São Paulo, SP