Espaço dedicado a pensamentos, poesias & devaneios. Sabor, comida, viagens, fotos, livros e o que mais der na telha (ou no forno).

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ah...tem! Mas acabou...

...e posso dizer que o macaron de maçã verde realmente veio do País das Maravilhas. Até ofereci um cafezinho para a Alice, pena que ela fugiu com o chapeleiro maluco.


terça-feira, 18 de maio de 2010

Sessão pequenos prazeres: Bolo de Fubá


Ingredientes
3 xíc. (chá) de fubá
3 xíc. (chá) de açúcar refinado
2 xíc. (chá) de leite integral
1 vidro pequeno de leite de coco
3 col. (sopa) de manteiga sem sal
2 col. (chá) de fermento químico
1 pitada de sal
6 ovos (claras em neve)
1/2 xíc. (chá) de queijo parmesão ralado
Sementes de erva-doce, cravo em flor, canela em rama e anis estrelado.

Modo de preparo
1. Faça uma polenta doce com o fubá, açúcar, leite, leite de coco, manteiga e especiarias. Cozinhe até engrossar e começar a soltar do fundo da panela.
2. Retire do fogo e deixe esfriar. Descarte a canela, os cravos e o anis estrelado.
3. Junte as gemas e o queijo a polenta fria.
4. Por fim, adicione o fermento em pó e as claras em neve.
5. Leve para assar em forma untada e polvilhada com fubá (rende um bolo bem grande).
6. Compre algumas flores.
7. Passe um cafezinho.
8. Arrume a mesa e tenha um momento de pequeno prazer ;)

Obs.: essa receita veio daqui, com algumas pequenas modificações.

sábado, 15 de maio de 2010

Nebulosa

Vejo tudo através de uma lente
embaçada, nebulosa
Imagens distorcidas; um corpo, um tronco, um animal
Gestos confusos
Aceno, xingamento, afago, desprezo
Vejo tudo em cores borradas e tons mal definidos
Vejo tudo em sombra e luz
ambas me cegam
Ajusto as lentes, e por mais que as ajuste
menos definição consigo
não sei mais o que devo seguir, se o borrão ou a faísca
Vejo tudo através desse véu indissolúvel
Leve, fino, delgado; quase transparente
Porém, presente, pesado, chumbo puro
Chumbo transparente

sábado, 8 de maio de 2010

O eu e o tu

"Govinda já não enxergava o semblante de Sidarta, seu companheiro. Em vez dele via outros rostos, inúmeros, toda uma fila, uma torrente de rostos, centenas, milhares, que todos eles apareciam, sumiam e todavia davam a impressão de estar presentes simultaneamente, rostos esses que a cada instante se modificavam e renovavam e, contudo, eram sempre Sidarta. Via a cabeça de um peixe, uma carpa, com a boca semi-aberta em infinita dor, peixe agonizante, de olhos vidrados. Via o rostinho de uma criança recém-nascida, vermelho, enrugado, a ponto de chorar. Via a fisionomia de um assassino, no momento em que varava com a faca o corpo de sua vítima e, ao mesmo tempo, via esse criminoso a ajoelhar-se, algemado, para que o algoz o decapitasse com um só golpe de terçado. Via os corpos desnudos de homens e mulheres, entrelaçados em posições e embates de desvairado amor. Via cadáveres prostrados, imóveis, gélidos, vazios. Via cabeças de animais, de javalis, crocodilos, elefantes, touros, aves. Via divindades, Crisna, Agni...Via todos esses vultos e rostos ligados entre si por milhares de relações, cada qual a acudir o outro, a amá-lo, a odiá-lo, a destruí-lo, a pari-lo de novo. Cada qual expressava o desejo de morrer, era apaixonada e dolorosa a profissão de efemeridade e, no entanto, não morria, apenas se modificava, renascia uma e outra vez, tomava aspectos sempre diversos, sem que o tempo se intercalasse entre uma e outra configuração. E todos esses rostos repousavam, flutuavam, geravam-se mutuamente, esvaíam-se e confundiam-se".

Sidarta, de Hermann Hesse (tradução de Herbert Caro)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Encarando os fatos

"There's a schizoid quality to our relationship with animals, in which sentiment and brutality exist side by side. Half the dogs in America will receive Christmas presents this year, yet few of us pause to consider the miserable life of the pig - an animal easily as intelligent as a dog - that becomes the Christmas ham.
We tolerate this disconnect because the life of the pig has moved out of view. When's the last time you saw a pig? Except for our pets, real animals - animals living and dying - no longer figure in our everyday lives. Meat comes from the grocery store, where it is cut and packaged to look as little like parts of animals as possible. The disappearance of animals from our lives has opened a space in which there's no reality check, on either the sentiment or the brutality".

Trecho extraído do artigo "An Animal's Place" de Michael Pollan. New York Times Magazine, November 2002.