Espaço dedicado a pensamentos, poesias & devaneios. Sabor, comida, viagens, fotos, livros e o que mais der na telha (ou no forno).

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Quebrando a rotina...

...com um jantar em plena quinta feira.

E, acho, veja bem, apenas acho, que comi pouco ontem (se é que isso é possível). Acordei com muita fome hoje. Será que o almoço vai demorar muito pra ser servido??

Obs.: Eu juro que coloco as receitas mais tarde.

Mozzarella in Carrozza



Gnocchi di Semolino


Mignon recheado com Parma, Portobello e rúcula


Clafoutis de maçãs caramelizadas

terça-feira, 27 de abril de 2010

Muito além da cozinha


"A vida depende da vida.
Todos comemos e somos comidos.
Quando nos esquecemos disso, choramos;
quando nos recordamos disso,
podemos nutrir uns aos outros."

(Preceito Budista)

Fonte: O Zen na Cozinha, princípios da culinária Shôjin, Monja Gyoku En, 2008.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Desafios

Temos a péssima tendência de dar nomes a tudo – sentimentos, perspectivas, objetivos, coisas e pessoas. Além dos nomes próprios, óbvios pela necessidade de diferenciação, nos vemos obrigados a rotular – e isso se dá também dentro do ambiente de trabalho e na complexa relação que mantemos com alunos, clientes, colegas e superiores. A palavra desafio é um desses rótulos – tudo se tornou desafio. Tenho uma visão bem diferente sobre o que é um desafio. Atualmente, qualquer demanda, obrigação ou tarefa é chamada de desafio, esquecendo que o nosso trabalho diário é cheio de obrigações e prazos, mas nem sempre cada uma dessas tarefas é um desafio – uma obrigação pode ser apenas uma obrigação. Pronto; acabou. E não venho aqui levantar a bandeira – nos dêem menos trabalho – não é sobre isso que falo.
Desafio nos anima, nos motiva, nos impele a abrir livros, visitar lugares que não conhecíamos, perguntar, conversar, ouvir e investigar. Desafio mexe com nossas próprias verdades, que, a partir de agora, nem tão verdadeiras são. Desafio gera dúvidas, muitos questionamentos e, afortunadamente, muitas respostas.
E por que essa questão aparece aqui em um blog de gastronomia?
Tudo começou com o desenvolvimento de algumas aulas sobre vegetarianismo – aquela comida insossa, com cara de nada, cheia de restrições. Comprei uma pilha de livros, conversei com pessoas bacanas, entrei em sites sérios, visitei lojas e restaurantes. Ouvi, me abri, assimilei, absorvi – acredito que esteja aí a chave do desafio – estar aberto, deixando de lado os pré-conceitos criados quase sempre por nós mesmos. Por fim, descobri um mundo novo, novos ingredientes, novos sabores, outras necessidades. Não, antes que pensem, já informo que não me tornei vegetariano, mas a grande sacada é estar aberto ao que antes era desconhecido. E, conhecendo o novo, podemos avaliar se o que fazemos é bom ou não, acima de tudo, para nós. Podemos, a partir dessa avaliação, estudar a qualidade de nossas relações com o outro e com o ambiente onde vivemos. Essa auto-avaliação não determina que, necessariamente, devamos apagar e excluir o que vivemos até agora, mas sim, somar novos conhecimentos à nossa bagagem. Posteriormente, essa nova bagagem irá determinar quais escolhas serão feitas, e de forma mais complexa, se renúncias ou trocas farão parte dessas novas escolhas. Mas, como sempre digo, o caminho do autoconhecimento é individual.
Novamente, a gastronomia norteia meus desafios. Parti agora para uma pesquisa sobre a cozinha judaica – uma cozinha desconhecida para a maioria dos não-judeus. Mais uma vez, me dispo de qualquer pré-julgamento para entender o que esse povo, espalhado pelo mundo, come. Meu desafio agora é tentar entender quais ingredientes fazem parte de uma refeição judaica e de que forma a religião, suas rígidas regras higiênico-sanitárias, e os caminhos trilhados ao longo de milênios levaram ao entendimento de uma cozinha multifacetada que continua viva aqui, na Europa, nos EUA ou em outros continentes.
Antes que me perca no texto e comece a falar sobre receitas, volto aos desafios, e entendendo que talvez façam parte constante da profissão que escolhi, acredito que, cada um de nós, professor ou não, deveria constantemente encarar novos desafios na vida. Olhe para o lado, por cima do muro, ou até mesmo embaixo do tapete. Veja, pare e escute o outro – outra língua, outra comida, outra arte, outra sociedade. Tenho certeza que escutando o outro, você entenderá mais sobre você mesmo.

Já usei essa frase de Massimo Montanari aqui no blog, mas acho que cairá bem para fechar meus humildes pensamentos:
“Buscar nossas próprias raízes, sem preconceito, significa encontrar os outros que vivem em nós.”

sábado, 10 de abril de 2010

Como eu te procurei!!!

Sempre na insistente e incansável procura por livros esgotados. Já descobri que nessa arte a paciência é a palavra chave, junto com um punhado de boa sorte ;)



"...fazer um pão com indiferença, é fazer um pão amargo que alimenta apenas a metade da fome de um homem"
Khalil Gibran

sexta-feira, 9 de abril de 2010

É difícil mudar

Um grupo de cientistas pôs cinco macacos numa jaula. No meio dela, uma escada, e sobre ela um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para pegar as bananas, um jato de água fria era jogado nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco subia a escada para pegar as bananas, os outros que estavam no chão o enchiam de pancadas.
Com mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.
Após isso, substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, sendo retirado pelos outros que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo substituto foi colocado na jaula e o mesmo ocorreu com este, tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo na surra do novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto e afinal o último dos cinco integrantes iniciais foi substituído. Os pesquisadores então tinham na jaula um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza, dentre as respostas, a mais freqüente seria: "Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui".
Vamos mudar?

Texto de autor desconhecido, retirado de um folder do Centro de Estudos Filosóficos Palas Athena.

domingo, 4 de abril de 2010

Sol e chuva, casamento de viúva...

Chuva e sol, casamento de espanhol. Se esse dito popular fosse verdadeiro, hoje muitas viúvas e espanhóis estariam se casando. Eu olho pela janela da sala, está chovendo; vou até a janela do quarto o dia está ensolarado. Acho que São Pedro e Santa Clara estão discutindo nesse domingo de Páscoa...rsrs

Galinho, hoje você não tem vez!!! Na mesa, só camarões e bacalhau...


Arroz Bomba de camarões com tomate
(viciei no arroz Bomba, nesse post tem receita)


Bacalhau lascado com brócolis e batatas rústicas


Pastel de Nata (receita aqui) num momento de sol!!!

Que a chuva leve embora nossas dúvidas e amarguras, e que a Páscoa, com sua luz, faça ressurgir em nossos corações a esperança de um mundo melhor, mais justo, onde a Paz impere acima de tudo.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Bomba!!!


Arroz Bomba com camarões e açafrão (do jantar em celebração ao Outono)

Ingredientes
1 1/2 xíc. de chá de arroz Bomba
1 kg de camarão sujo
1 cebola em brunoise (picadinha)
4 dentes de alho picados
1/2 xíc. de chá de vinho branco
Salsinha e cebolinha
Azeite de oliva
Açafrão moído (o suficiente para dar uma bela cor dourada)
Sal e pimenta do reino moída
Aparas de cenoura, alho poró, salsão, cebola, tomilho e talos de salsinha para o preparo do fundo (caldo)

Modo de preparo
1. Limpar os camarões retirando as cabeças e as cascas. Preservar a cauda do camarão e reservá-los refrigerados enquanto dá início ao preparo do caldo.
2. Tirar os olhos dos camarões, existe um consenso geral de que os olhos amargam o caldo. Na dúvida, eu retiro.
3. Lavar bem as cascas e as cabeças, suá-las em um pouco de azeite, acrescentar as aparas dos legumes, suar levemente e completar com 4 xícaras de água. Manter em fervura bem suave até o momento de preparo do arroz. Esse processo pode ser feito com antecedência para que o caldo fique mais saboroso.
4. Suar parte do alho no azeite e saltear rapidamente os camarões. Temperar com sal e pimenta do reino. Fazer essa etapa aos poucos, sempre acrescentando um pouco de alho e mais azeite se necessário. Não salteie todos os camarões de uma vez, caso contrário eles soltarão muita umidade e você terá um cozido de camarões, e não um salteado. Reservar os camarões salteados.
5. Suar a cebola em azeite, acrescentar alho. Assim que sentir o aroma do alho, adicionar o arroz. Fritá-lo por 1 min.
6. Adicionar o vinho.
7. Assim que evaporar acrescentar todo o caldo de uma vez - para esse arroz use a proporção de 3:1 - 3 partes de caldo para 1 de arroz.
8. Adicionar o açafrão, temperar com sal e pimenta e cozinhar por aprox. 15 min, mexendo ocasionalmente.
9. Aos 15 min, acrescentar os camarões (reserve alguns para decorar). Retificar os temperos.
10. O arroz deve estar cozido aos 18 min, e ainda bem molhadinho.
11. Retirar do fogo, incorporar a salsinha e a cebolinha, decorar com alguns camarões reservados anteriormente, regar com um pouco de azeite, tampar a panela, e aguardar 2 min. para servir.

Não seja indiscreto contando os rabinhos de camarões que sobraram no prato dos convidados!!! rsrs