Espaço dedicado a pensamentos, poesias & devaneios. Sabor, comida, viagens, fotos, livros e o que mais der na telha (ou no forno).

domingo, 23 de agosto de 2009

Para um blog não morrer...

...ou apenas um humilde e simples bolo de laranja.

Bolo de Laranja

Ingredientes
1 xícara (chá) de margarina (usei manteiga)
2 xícaras (chá) de açúcar
4 gemas
1 xícara (chá) de suco de laranja
casca ralada de laranja, a gosto
1 1/2 xícara (chá) de Maizena
1 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo
1 colher (chá) de fermento em pó
1 pitada de sal
4 claras, em neve firme

Modo de preparar
Bata a margarina (no caso a manteiga) com o açúcar e as gemas até obter um creme esbranquiçado. Junte o suco e a casca de laranja. Bata bem. Acrescente a Maizena, a farinha, o fermento e o sal. Misture até obter uma massa homogênea. Junte delicadamente as claras. Leve ao forno médio, em assadeira (grande) untada e enfarinhada, cerca de 35 minutos.
Rendimento: 20 porções

Obs.1: Fiz uma cobertura com 1 xícara (chá) de açúcar de confeiteiro (sem amido) e 3 colheres de suco de laranja quente. Misture até obter um creme homogêneo. Cubra o bolo, e salpique raspas de laranja e amêndoas laminadas. Deixe descansar até formar uma casquinha crocante. Receita de avó...
Obs.2: Uma dica para quem fizer esse bolo - diminuam a quantidade de Maizena. Ele tem um residual muito forte de amido.

Receita retirada do folhetinho Faça tudo mais gostoso com Maizena, de algumas décadas atrás, e que provavelmente acompanhava um pacote do produto.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Apenas vivendo

Gosto de gavetas abarrotadas e sem nexo.
De armários atrapalhados e sem sentido.
Cores...todas misturadas.
Papéis...confusos.
Não me basta um, preciso de dois, três...infinitos talvez.
Emoções...o que são?
Amo, odeio, desprezo, admiro, invejo.
Sentimentos empilhados e jogados pelo chão da sala...da cozinha...do quarto, debaixo da cama e presos nas janelas.
Me entupo de perdas, me preencho com vazios, me completo com o nada.
Me perco em reminiscências, pensamentos e lembranças de memórias não vividas.
Me alimento de ausências.
Me completo com sonhos impossíveis.
Vivo nos excessos.
Sobrevivo no comedimento.
Passeio pelo perigo.
Terminarei como?

"Minhas alegrias são intensas. Minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, só vivo nos excessos."
Clarice Lispector

sábado, 1 de agosto de 2009

Paus e pedras

Após almoçar no Per Se, fiquei pensando sobre a arte de servir e todas as nuances que estão envolvidas nesse grande processo - ambientação, louças, toalhas, guardanapos, cores, luzes, som, figurino, cheiros, gestos, etc, etc...
A preocupação com o cliente é algo que preocupa muitos chefs, e a maioria deles sabe que um restaurante não funciona apenas baseado em um grande cardápio. E, quanto melhor e mais preciso é esse cardápio - e não falo aqui somente de restaurantes estrelados - a preocupação com o serviço passa a ter um peso tão grande quanto o que é dispensado à comida em si.
Não vou ficar aqui explicando como se monta uma mesa ou como se deve recepcionar o cliente, mas gostaria de lembrar das palavras do grande chef Andoni Luis Aduriz (aqui eu falo um pouco mais sobre o seu trabalho). Em junho, eu e minha amiga Joyce, assistimos a uma aula do chef Andoni no evento Paladar, e logo de início, Andoni fala sobre os sentimentos e sensações que passamos quando entramos em um restaurante. Ele próprio disse que se "sente pequeno quando entra em um restaurante". Realmente, estar em um restaurante é se entregar ao desconhecido, é nesse momento que depositamos toda a confiança nas mãos de um equipe que irá nos servir...comida, emoções, sensações...É nesse momento, esse variável período de tempo, que o cliente encontra-se completamente submisso...submisso ao desconhecido. E, é obrigação do chef e sua equipe aliviar a carga de incômodo que pesa sobre o cliente.
De forma bem humorada, Andoni recebe os seus clientes com paus e pedras...na verdade batatas cozidas e passadas em um mistura que leva cal e corante vegetal, e pedaços de bardana também passadas pela cal e assadas.
É dessa forma, fazendo essa brincadeira, que ele deixa os seus clientes à vontade...será que são pedras?
Fantástico!!