Afinal, o que significa Gastronomia? Algumas chances: Culinária? Cozinha? Experimentações? Bistronomia? Tecnoemocionalidade molecular?
Sei lá, tudo isso e nada disso.
E, talvez nem importe saber o que é a tão falada Gastronomia. Porém, apesar de não me importar, após ser bombardeado por uma enxurrada de textos e informações acerca do que é a gastronomia me vi obrigado a escrever um pouco também.
Temos a tendência de achar que a crise de hoje é a pior, que o mundo já foi melhor no passado, e os tempos da vovó eram uma maravilha. Ok, vamos nos teletransportar para a Idade Média e depois conversamos; mas, sinceramente, há tempos que a Gastronomia não era tão falada. Está na boca dos feirantes, das donas de casa, dos tios aposentados, jovens antenados, pesquisadores, historiadores, top chefs (ou top models?), alunos e professores.
Temos a tendência de achar que a crise de hoje é a pior, que o mundo já foi melhor no passado, e os tempos da vovó eram uma maravilha. Ok, vamos nos teletransportar para a Idade Média e depois conversamos; mas, sinceramente, há tempos que a Gastronomia não era tão falada. Está na boca dos feirantes, das donas de casa, dos tios aposentados, jovens antenados, pesquisadores, historiadores, top chefs (ou top models?), alunos e professores.
Temos montes de Brillat-Savarins circulando entre nós – os meros mortais. Por que agora todos entendem maravilhosamente bem das raízes da gastronomia nacional, e são capazes de discorrer por horas acerca das interconexões entre essa e as diversas outras culturas gastronômicas pelo mundo afora. Câmara Cascudo e Gilberto Freyre que se cuidem, seus livros podem acabar como peso para porta.
Sim, sou a favor do ser pensante. Mas, pensar exige enxergar além dos nossos próprios horizontes, ou melhor, além do nosso próprio umbigo, aliás, bem dilatado em alguns. Ao pensar devemos nos despir de julgamentos, mesquinharias e competitividade. Pensar é um ato humilde. Pelo menos, deveria ser. Ao pensarmos, devemos completar e somar.
Já falei aqui no blog que sou a favor da diversidade. Nesse sentido, vibro com a culinária proveniente do fogo, da mesma forma que clamo pela contribuição tecnológica que vem das experimentações vanguardistas. E, as barracas de rua que vendem pastel, acarajé, sanduíche também contribuem para o dinamismo de nossa cultura, da mesma forma que o leite condensado e o creme de leite de latinha, tão apreciados pelas donas de casa brasileiras.
Meu Deus, o que está acontecendo então?
A gastronomia passou a ser uma ferramenta excludente e cheia de preconceitos e interesses obscuros? É paradoxal que em um mundo tecnologicamente sincronizado como o nosso, o ato de fazer a comida e comer – compartilhado por quase todos os cidadãos do mundo – tenha assumido um papel duvidoso e amedrontador. Programas de TV mostram chefs mal educados e ameaçadores e fóruns internacionais servem de veículo para ataques sem sentido. Livros são escritos com receitas sem pé nem cabeça, apenas para mostrar o quanto o chefão é bom. Mas, o conhecimento não deveria ser compartilhado? Cansei de ser ouvinte de palestras e aulas sem sentido. Cansei de escutar sempre as mesmas histórias, os mesmos gestos, as mesmas brincadeiras. Cansei do samba de uma nota só. Cansei das palavras enigmáticas de alguns e dos aplausos patetas da platéia lobotomizada.
Falar é fácil. Vamos começar a botar a mão na massa. Usar e abusar da nossa diversidade ecológica é uma maravilha. Principalmente se a vendemos a preço de ouro.
Sim, sou a favor do ser pensante. Mas, pensar exige enxergar além dos nossos próprios horizontes, ou melhor, além do nosso próprio umbigo, aliás, bem dilatado em alguns. Ao pensar devemos nos despir de julgamentos, mesquinharias e competitividade. Pensar é um ato humilde. Pelo menos, deveria ser. Ao pensarmos, devemos completar e somar.
Já falei aqui no blog que sou a favor da diversidade. Nesse sentido, vibro com a culinária proveniente do fogo, da mesma forma que clamo pela contribuição tecnológica que vem das experimentações vanguardistas. E, as barracas de rua que vendem pastel, acarajé, sanduíche também contribuem para o dinamismo de nossa cultura, da mesma forma que o leite condensado e o creme de leite de latinha, tão apreciados pelas donas de casa brasileiras.
Meu Deus, o que está acontecendo então?
A gastronomia passou a ser uma ferramenta excludente e cheia de preconceitos e interesses obscuros? É paradoxal que em um mundo tecnologicamente sincronizado como o nosso, o ato de fazer a comida e comer – compartilhado por quase todos os cidadãos do mundo – tenha assumido um papel duvidoso e amedrontador. Programas de TV mostram chefs mal educados e ameaçadores e fóruns internacionais servem de veículo para ataques sem sentido. Livros são escritos com receitas sem pé nem cabeça, apenas para mostrar o quanto o chefão é bom. Mas, o conhecimento não deveria ser compartilhado? Cansei de ser ouvinte de palestras e aulas sem sentido. Cansei de escutar sempre as mesmas histórias, os mesmos gestos, as mesmas brincadeiras. Cansei do samba de uma nota só. Cansei das palavras enigmáticas de alguns e dos aplausos patetas da platéia lobotomizada.
Falar é fácil. Vamos começar a botar a mão na massa. Usar e abusar da nossa diversidade ecológica é uma maravilha. Principalmente se a vendemos a preço de ouro.
Passamos por um momento de elitização do banal. Mas, devemos ter cuidado com o que fazemos, pois podemos pisar nas mesmas pegadas de nossos colonizadores, e assim, oprimir as massas e tirar delas o que lhe é mais caro – a autenticidade.
Vejo que pulamos uma etapa – chegamos ao final, sem passar pelas preliminares. No meio da guerra de egos, melhor assessoria de imagem, melhor capa de revista e melhor cardápio, esquecemos a razão e a finalidade da comida. A gastronomia, ou a culinária, se assim preferir, não existe apenas para alimentar, pois “o alimentar” carrega em si uma série de outras possibilidades e emoções. A comida deveria assumir o seu caráter lúdico e carregador de informações e não apenas trazer uma imagem, muitas vezes distorcida, e que reflete apenas as características de seu manipulador.
O alimento deveria, além de nutrir; ensinar, incluir, perpetuar. Não adianta nos trazer a espuma - fazer espumas é fácil, basta um sifão e alguns ingredientes (tenho tudo aqui no meu armário). Entender o alimento é mais – é dissecá-lo, entender os seus porquês e saber o significado daquela receita e sua inserção naquela sociedade. Mas, agora, até as receitas estão fadadas à condenação. Mais uma vez, é a elitização da cozinha.
A gastronomia não deveria ser um campo minado ameaçador, mas é com pesar, que percebo que rapidamente trilhamos esse desastroso caminho. Como professor, e nem sei se sou tão bom e apto para tal função, tenho a obrigação de comunicar e alertar que corremos o risco de nos perder no meio do caminho. Não se constrói uma casa a partir de seu telhado, da mesma forma que não se constrói uma cultura gastronômica apenas baseados em uma bela imagem.
Vejo que pulamos uma etapa – chegamos ao final, sem passar pelas preliminares. No meio da guerra de egos, melhor assessoria de imagem, melhor capa de revista e melhor cardápio, esquecemos a razão e a finalidade da comida. A gastronomia, ou a culinária, se assim preferir, não existe apenas para alimentar, pois “o alimentar” carrega em si uma série de outras possibilidades e emoções. A comida deveria assumir o seu caráter lúdico e carregador de informações e não apenas trazer uma imagem, muitas vezes distorcida, e que reflete apenas as características de seu manipulador.
O alimento deveria, além de nutrir; ensinar, incluir, perpetuar. Não adianta nos trazer a espuma - fazer espumas é fácil, basta um sifão e alguns ingredientes (tenho tudo aqui no meu armário). Entender o alimento é mais – é dissecá-lo, entender os seus porquês e saber o significado daquela receita e sua inserção naquela sociedade. Mas, agora, até as receitas estão fadadas à condenação. Mais uma vez, é a elitização da cozinha.
A gastronomia não deveria ser um campo minado ameaçador, mas é com pesar, que percebo que rapidamente trilhamos esse desastroso caminho. Como professor, e nem sei se sou tão bom e apto para tal função, tenho a obrigação de comunicar e alertar que corremos o risco de nos perder no meio do caminho. Não se constrói uma casa a partir de seu telhado, da mesma forma que não se constrói uma cultura gastronômica apenas baseados em uma bela imagem.





Camarões no azeite, com farofinha
Vôngoles ao tomate e ervas


