Espaço dedicado a pensamentos, poesias & devaneios. Sabor, comida, viagens, fotos, livros e o que mais der na telha (ou no forno).

domingo, 31 de maio de 2009

Nossa madrasta má, a Gastronomia

Afinal, o que significa Gastronomia? Algumas chances: Culinária? Cozinha? Experimentações? Bistronomia? Tecnoemocionalidade molecular?
Sei lá, tudo isso e nada disso.
E, talvez nem importe saber o que é a tão falada Gastronomia. Porém, apesar de não me importar, após ser bombardeado por uma enxurrada de textos e informações acerca do que é a gastronomia me vi obrigado a escrever um pouco também.
Temos a tendência de achar que a crise de hoje é a pior, que o mundo já foi melhor no passado, e os tempos da vovó eram uma maravilha. Ok, vamos nos teletransportar para a Idade Média e depois conversamos; mas, sinceramente, há tempos que a Gastronomia não era tão falada. Está na boca dos feirantes, das donas de casa, dos tios aposentados, jovens antenados, pesquisadores, historiadores, top chefs (ou top models?), alunos e professores.
Temos montes de Brillat-Savarins circulando entre nós – os meros mortais. Por que agora todos entendem maravilhosamente bem das raízes da gastronomia nacional, e são capazes de discorrer por horas acerca das interconexões entre essa e as diversas outras culturas gastronômicas pelo mundo afora. Câmara Cascudo e Gilberto Freyre que se cuidem, seus livros podem acabar como peso para porta.
Sim, sou a favor do ser pensante. Mas, pensar exige enxergar além dos nossos próprios horizontes, ou melhor, além do nosso próprio umbigo, aliás, bem dilatado em alguns. Ao pensar devemos nos despir de julgamentos, mesquinharias e competitividade. Pensar é um ato humilde. Pelo menos, deveria ser. Ao pensarmos, devemos completar e somar.
Já falei aqui no blog que sou a favor da diversidade. Nesse sentido, vibro com a culinária proveniente do fogo, da mesma forma que clamo pela contribuição tecnológica que vem das experimentações vanguardistas. E, as barracas de rua que vendem pastel, acarajé, sanduíche também contribuem para o dinamismo de nossa cultura, da mesma forma que o leite condensado e o creme de leite de latinha, tão apreciados pelas donas de casa brasileiras.
Meu Deus, o que está acontecendo então?
A gastronomia passou a ser uma ferramenta excludente e cheia de preconceitos e interesses obscuros? É paradoxal que em um mundo tecnologicamente sincronizado como o nosso, o ato de fazer a comida e comer – compartilhado por quase todos os cidadãos do mundo – tenha assumido um papel duvidoso e amedrontador. Programas de TV mostram chefs mal educados e ameaçadores e fóruns internacionais servem de veículo para ataques sem sentido. Livros são escritos com receitas sem pé nem cabeça, apenas para mostrar o quanto o chefão é bom. Mas, o conhecimento não deveria ser compartilhado? Cansei de ser ouvinte de palestras e aulas sem sentido. Cansei de escutar sempre as mesmas histórias, os mesmos gestos, as mesmas brincadeiras. Cansei do samba de uma nota só. Cansei das palavras enigmáticas de alguns e dos aplausos patetas da platéia lobotomizada.
Falar é fácil. Vamos começar a botar a mão na massa. Usar e abusar da nossa diversidade ecológica é uma maravilha. Principalmente se a vendemos a preço de ouro.
Passamos por um momento de elitização do banal. Mas, devemos ter cuidado com o que fazemos, pois podemos pisar nas mesmas pegadas de nossos colonizadores, e assim, oprimir as massas e tirar delas o que lhe é mais caro – a autenticidade.
Vejo que pulamos uma etapa – chegamos ao final, sem passar pelas preliminares. No meio da guerra de egos, melhor assessoria de imagem, melhor capa de revista e melhor cardápio, esquecemos a razão e a finalidade da comida. A gastronomia, ou a culinária, se assim preferir, não existe apenas para alimentar, pois “o alimentar” carrega em si uma série de outras possibilidades e emoções. A comida deveria assumir o seu caráter lúdico e carregador de informações e não apenas trazer uma imagem, muitas vezes distorcida, e que reflete apenas as características de seu manipulador.
O alimento deveria, além de nutrir; ensinar, incluir, perpetuar. Não adianta nos trazer a espuma - fazer espumas é fácil, basta um sifão e alguns ingredientes (tenho tudo aqui no meu armário). Entender o alimento é mais – é dissecá-lo, entender os seus porquês e saber o significado daquela receita e sua inserção naquela sociedade. Mas, agora, até as receitas estão fadadas à condenação. Mais uma vez, é a elitização da cozinha.
A gastronomia não deveria ser um campo minado ameaçador, mas é com pesar, que percebo que rapidamente trilhamos esse desastroso caminho. Como professor, e nem sei se sou tão bom e apto para tal função, tenho a obrigação de comunicar e alertar que corremos o risco de nos perder no meio do caminho. Não se constrói uma casa a partir de seu telhado, da mesma forma que não se constrói uma cultura gastronômica apenas baseados em uma bela imagem.

domingo, 24 de maio de 2009

Um mimo...

...do casal mais simpático que conheço, Fátima e Elton, da Gamela Presentes. Quer ser bem atendido? Vai lá, tenho certeza que não sairá de mãos abanando!!!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

...rolo bolo, bolo rolo, rolo rolo, bolo bolo, rocambole...

Pois é, promessa é dívida. Na segunda feira preparei o rocambole para o aniversário de 1 ano do blog e disse: amanhã eu publico a receita...terça, quarta, quinta, sexta...chegou o amanhã...rsrs
Mas o problema foi que no dia de amanhã prometido, ao invés de publicar a receita no blog, publicaram o meu nome no livro das doenças misteriosas do séc. XXI e acabei com uma virose (???) capaz de derrubar um cavalo. Vou poupá-los dos detalhes mundanos de todos os sintomas que tive, mas, posso garantir que foram 3 dias macabros.

Mudando de assunto: agradeço a todo pelos recados de Feliz Aniversário deixados aqui no blog e no meu email!!!

E agora, o assunto que interessa - o rocambole. Vou passar somente a receita da massa, por que o recheio fica ao gosto do freguês - doce de leite, ovos moles, chantilly, geléias, compotas, ganache, brigadeiro...etc, etc.
Retirei essa receita de algum dos meus livros já há algum tempo, e mesmo procurando essa semana, não consegui descobrir de qual livro ela veio.

Rocambole
Rende massa suficiente para dois rocamboles

Ingredientes
220 g de farinha de trigo
10 g de fermento químico
2 g de sal refinado
160 g de açúcar refinado (com os secos, veja modo de preparo)
130 ml de óleo
100 g de gema de ovo (aprox. 4 unidades)
125 ml de água
230 g de clara de ovo (aprox. 7 unidades)
155 g de açúcar refinado (para as claras em neve)
1 pitada de cremor tártaro

Modo de preparo
1. Peneire a farinha, o fermento, o sal e o primeiro açúcar.
2. Misture o óleo, as gemas e a água com um fouet somente até emulsionar.
3. Incorpore os secos peneirados anteriormente a essa mistura de ovos. Reserve.
4. Bata as claras em neve, juntamente com o segundo açúcar e o cremor tártaro.
5. Incorpore delicadamente as claras em neve à mistura anterior. Use uma espátula nesse processo.
6. Transfira a massa para duas placas revestidas com tapete de silicone ou papel manteiga e leve ao forno pré-aquecido a 190 C até assar completamente.
7. Retire do forno e inverta as massas sobre panos polvilhados com açúcar refinado.
8. Espere amornar e corte as laterais das massas para obter retângulos e retirar as imperfeições.
9. Cubra com o recheio escolhido enquanto a massa ainda estiver morna (exceto se usar chantilly).
10. Enrole, cuidadosamente, com a ajuda do pano.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

1 ano

Ainda é 18 de maio...quase não é mais, mas ainda é...e hoje é aniversário de 1 ano do blog!!!
Mas blog faz aniversário?? Sei lá, na dúvida é melhor comemorar, né? Comemorar com rocambole, em homenagem ao rolo que tá a minha vida...rsrs
Ah...amanhã coloco a receita do pobre coitado, ok? Ainda tenho uma pilha de louça pra lavar.

PS: todo aniversário tem agradecimentos, certo? Então, lá vai...agradeço a todos que entram aqui no blog, para aqueles que deixam comentários e também para os que não deixam. Para aqueles que entram aqui por engano e falam, meu Deus, o que é isso?? E, agradeço principalmente às pessoas que conheci pessoalmente ou virtualmente!!!

Um abraço a todos e que esse seja o primeiro de muitos anos!!!!!


segunda-feira, 11 de maio de 2009

Mãe ao mar: o almoço do Dia das Mães



Camarões no azeite, com farofinha


Vôngoles ao tomate e ervas


Peixada de cação


Panna cotta com amarenas


sábado, 9 de maio de 2009

Jayminho e a montanha russa

Jayminho nunca gostou de montanhas russas. Porém, para se sentir poderoso, ou melhor, um pouco melhor do que um zero à esquerda, ele sempre aceitou os convites para o angustiante passeio sem fim. Jayminho acomoda-se no carrinho e fecha os olhos. Só esperando pelo primeiro movimento aterrorizante. E, assim, de olhos fechados, imaginando os movimentos, as curvas, ele sente os altos e baixos, direitas e esquerdas, claro, escuro, claro, escuro, claro, escuro...e o vento...o fôlego, o frio...direita, esquerda, para cima, para baixo...e naquela interminável estrada cega...ele apenas conta os minutos e segundos para sentir a desaceleração da locomotiva da morte...5, 4, 3, 2, 1...
Jayminho nunca gostou de montanhas russas. Jayminho nunca gostou de ser jogado de um lado para o outro. Jayminho, algumas vezes, pensa se realmente gosta de emoções. Mas só uma certeza ele tem. Ele não gosta de montanhas russas.
Mas talvez vocês tenham uma idéia errada acerca de Jayminho. À noite, nas horas mais escuras, Jayminho faz uma brincadeira. Ao volante, nos lugares mais obscuros, dirigindo, janelas abertas, o vento batendo no rosto, ele vê aquela luz verde passando para amarela, e pensa, mais um pouco, mais um pouco, e acelera, acelera o máximo que pode...o vento passa rasgando a pele do seu rosto...e inocentemente, atinge o outro lado, deixando o vermelho para trás. Algumas vezes pensa, será que conseguirei? Mas, nas horas mais escuras, ele passa, e vê o brilho vermelho passando por cima de sua cabeça e rapidamente ficando para trás.
Jayminho nunca gostou de montanhas russas. Jayminho nunca pôde dominar as curvas, os altos e baixos, as direitas e as esquerdas desse trem da morte. Mas Jayminho sente que quase pode dominar aquele segundo que antecede a mudança do verde para o amarelo, do amarelo para o vermelho. Jayminho sente que pode manipular o tempo de transição entre a troca das luzes, mas Jayminho não pode manipular as curvas daquele trem da morte, que o amedronta desde a infância.
Jayminho não gosta de ser jogado de um lado para o outro. Jayminho fecha os olhos e sabe, ou imagina saber, que todos o estão observando. Jayminho não gosta de ser observado e muito menos de ser tocado no escuro. No alto da montanha russa, Jayminho antecipa que o pior está por vir. Então, por que ele não consegue fazer com que esse aterrador trem pare de uma vez por todas? Ou então que, finalmente, caia em queda livre, ignorando os verdes, amarelos e vermelhos?
Jayminho já não sabe se está virando à esquerda ou à direita. Jayminho perdeu a sensibilidade que sempre lhe foi tão especial, e é incapaz de sentir se está numa queda livre ou numa íngreme subida. Então, importa saber onde está? Importa saber se o vermelho passou sobre sua cabeça?
Jayminho nunca gostou de montanhas russas, e agora ele sente que a sua vida é um quebra cabeças de 1.000, 3.000 peças que foram jogadas lá do alto da estrutura brilhante de uma gigantesca montanha russa. E nesse momento, pego de surpresa pela luz vermelha, ele abre os olhos e consegue ver vislumbres e flashes das 3.000, 5.000 peças caindo e voando pelos ares. Ele quase consegue escutar o barulho das infinitas peças batendo entre si e se chocando contra o aço brilhante da monstruosa montanha russa. E, já nem sabe se está em queda livre, ou numa vertical subida. Apenas sente o vento rasgando a pele do seu rosto e o brilho das peças queimando as suas córneas.

F.I.M.

domingo, 3 de maio de 2009

Em homenagem à tudo o que eu escuto...


Bolo de Abobrinha...blá-blá-blá...blá-blá-blá...blá-blá-blá...zzz...

Ingredientes
2 xíc. de chá de abobrinha italiana com casca ralada grosseiramente
3 ovos inteiros
1 xíc. de óleo
1/4 xíc. de mel
2 xíc. de chá de açúcar mascavo
3 xíc. de chá de farinha de trigo
1 col. de chá de canela em pó
1 col. de café de cardamomo em pó
1 col. de café de cravo em pó
1 col. de chá de bicarbonato de sódio
3 col. de chá de fermento em pó químico
Sementes de girassol à gosto
Sementes de erva doce à gosto

Modo de preparo
1. Processe rapidamente as abobrinhas raladas até obter um purê grosseiro.
2. Em um bowl misture os ovos, o óleo e o mel.
3. Em outro bowl, misture os ingredientes secos peneirados.
4. Junte essas duas misturas, mexa somente até incorporar.
5. Acrescente a abobrinha processada e misture delicadamente.
6. Adicione as sementes de erva doce e as de girassol.
7. Transfira a massa para formas de bolo inglês untadas e enfarinhadas.
8. Asse à 180 C por aproximadamente 40 minutos.

"- blá-blá...blá...blá-blá-blá...
- com certeza.
- blá...blá-blá...blá-blá...blá!!
- ah, sim!!
- blá-blá-blá...blá-blá-blá...blá...blá??
- não diga...
- ...blá-blá-blá...
- nossa..."