Espaço dedicado a pensamentos, poesias & devaneios. Sabor, comida, viagens, fotos, livros e o que mais der na telha (ou no forno).

domingo, 29 de março de 2009

Torta de caqui ?!?!?

"- O que você tá fazendo?
- Um creminho pra torta.
- Torta? Torta do que?
- Torta de caqui!
- Torta de caqui ?!?!?
- É, torta de caqui...
- Humm...estranho...
- Não vai ficar bom?
- Nunca comi..."

Moral da história: ruim não é, mas prefiro o caqui sozinho, na mão, no pratinho, in natura...
....................................

Torta de caqui com creme

Ingredientes

Pâte sucrée (massa)
75 g de açúcar refinado
100 g de manteiga sem sal
220 g de farinha de trigo
1 ovo
1 g de fermento em pó químico
1 g de sal

Crème Pâtissière (creme confeiteiro)
500 ml de leite integral
120 g de açúcar refinado
50 g de manteiga sem sal
1 ovo
5 gemas
40 g de amido de milho
1 fava de baunilha

4 caquis moles

Preparo da massa
1. Num bowl, combine a manteiga e o açúcar e misture até obter a consistência de areia molhada (tenha cuidado para não derreter a manteiga nesse processo).
2. Acrescente o ovo e os ingredientes secos peneirados, e misture rapidamente, com a ponta do dedos. Assim que formar uma bola homogênea pare de mexer (não trabalhe a massa excessivamente)
3. Embale em filme plástico e gele.
4. Abra a massa com o rolo e forre a forma. Gele novamente.
5. Assim que a massa estiver bem firme, fure-a com o garfo e asse-a 180 C até dourar.
6. Resfrie-a sobre uma grade.

Preparo de creme
1. Dilua completamente o amido em 50 ml de leite frio.
2. Junte as gemas e o ovo à mistura de leite com o amido. Reserve.
3. Coloque em uma panela o restante do leite, o açúcar e a manteiga.
4. Abra a fava de baunilha, retire o conteúdo com a ponta da faca e adicione-o à panela. Coloque também a fava de baunilha aberta. Leve essa mistura ao fogo até levantar fervura.
5. Assim que ferver, acrescente 1/3 do leite quente à mistura de ovos e amido, mexendo rapidamente, fazendo com que a temperatura dos ovos se eleve (esse processo se chama temperagem, e evita que os ovos "talhem" durante o cozimento do creme).
6. Adicione a mistura de ovos e amido ao leite na panela, diminua a chama, e mexa rápido e constantemente até que o creme se torne espesso.
7. Imediatamente verta o creme em um recipiente seco e cubra com filme plástico. O filme plástico deve estar em contato com o creme para impedir a formação de película.
8. Refrigere.

Montagem da torta
1. Com cuidado corte os caquis em quatro partes e retire a pele. Reserve.
2. Bata, com o fouet, o creme reservado, para amaciá-lo.
3. Recubra a massa de torta pré-assada.
4. Decore com os caquis.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Pedaços de Vida

Um dia desses me pediram para escrever alguma coisa sobre “resgatando relações humanas”.
Paro, penso, começo e nada sai.
Saem outras coisas, aparecem luzes nas janelas; sinto o ar do pulmão do outro; reflexos e lampejos de um dia como qualquer outro; aparece um tal de Jayminho à minha frente descobrindo mais do que uma espinha de peixe; mas, e as relações humanas? Onde estarão?
Perdidas? Em parte sim.
Sou um eterno pensador e sofredor do meu próprio tempo. Vejo coisas que preferiria nem ao menos vislumbrar, mas elas estão lá, ao meu alcance e para o meu azar as posso tocar de tão concretas que são.
Mas sim, penso sobre as relações humanas, afinal, até onde sabemos somos humanos. E, como humanos, espera-se que pensemos.
Afinal, Homo sapiens?
Ou talvez homens bélicos, homens monetários, ou quem sabe, homens caos.
E convivendo com essa nova espécie bélica de homem, constato que por baixo dos escombros, poeira, fuligem de guerras e batalhas, estão as relações humanas aos pedaços, como pedaços de vida espalhados por um campo minado.
No meio de nossas próprias bombas – individuais, caseiras ou corporativas e empresariais – vamos deixando nossos pedaços pelos caminhos que percorremos.
Chegar ao outro é transpor muros, alarmes, arames farpados, cacos de vidro e lâminas afiadas. Para resgatarmos algo, antes precisamos saber o que perdemos.
Para resgatarmos o outro na relação perdida, precisamos antes resgatarmos nossos próprios pedaços espalhados no quintal de nossas vidas.
Só poderemos resgatar as relações humanas com o outro quando, após dura batalha – não bélica, porém dolorosa – nos olharmos no espelho e dissermos: esse sou eu, aos pedaços, colados um a um, com as emendas expostas, algumas um pouco afiadas, outras entreabertas, mas que na soma final, entre pedaços faltantes, saberemos que tentamos, fizemos a nossa parte e nos resgatamos humanamente como indivíduos.
E só assim, após uma batalha eterna e constante, a qual também nos tirará pedaços, poderemos procurar o outro, cutucá-lo e pedir licença para resgatarmos algo perdido.

post scriptum

“- Ei, moço! Ajuda a gente a atravessar a rua?
- Vamos lá.
E num total desapego e confiança no desconhecido, ela troca a bengala de mão e suavemente toca a sua mão fria no braço de seu condutor.
Andam alguns metros, mais carros vêm, dão uma parada.
- Muitos carros na rua hoje!
- Nossa! Demais.
Faltam poucos metros.
- Calçada! Pronto!
- Obrigado moço!
- Não por isso.”

domingo, 22 de março de 2009

Tarte Tatin, um erro que fez história

Essa fabulosa torta de maçãs caramelizadas foi desenvolvida pela primeira vez por Stéphanie Tatin no Hotel Tatin no Vale do Loire, França, há mais de 100 anos.
Ainda hoje a Tarte Tatin é uma sobremesa muito apreciada e servida na grande maioria dos restaurantes e confeitarias do mundo todo, e por trás dessa receita existe uma lenda engraçada sobre erros e acertos.
Após a morte de Jean Tatin, a direção do Hotel Tatin passou para a mão de suas duas filhas - Caroline e Stéphanie. Enquanto Caroline era uma excelente administradora, Stéphanie era uma ótima cozinheira, admirada por suas criações mas também conhecida pelos seus erros. E, é a partir de um erro que a Tarte Tatin foi criada.
Em um dia de muita correria na cozinha, Stéphanie cozinhou as maçãs na manteiga e açúcar e ao invés de colocá-las sobre a massa, como era de hábito, colocou a massa sobre as maçãs. Quando Stéphanie se deu conta de seu erro já era demasiado tarde e a torta já estava no forno. Para servir a torta, a cozinheira foi obrigada a invertê-la sobre um prato de serviço para dar o aspecto da torta que estava acostumada a fazer.
O resultado final deixou seus clientes admirados, e assim, a partir de um erro foi criada umas das tortas mais famosas do mundo.

Lendas à parte, a autêntica Tarte Tatin é uma torta muito especial, pois sua preparação inicia-se com a caramelização das maçãs em uma mistura aromática de açúcar, manteiga e baunilha. Após esse processo, as maçãs já caramelizadas são recobertas com massa folhada e a torta é levada ao forno. Assim que a massa estiver dourada, a torta é invertida sobre um prato e pode ser servida. Apesar de encontramos muitas variações da Tarte Tatin, a única maneira correta de conseguirmos um sabor acentuado de maçãs caramelizadas é cozinhar juntamente as maçãs com os outros ingredientes, evitando qualquer atalho, como, por exemplo, adicionar as maçãs a um caramelo previamente preparado.
Ao cozinharmos as maçãs na mistura de açúcar e manteiga, as maçãs liberam seu suco, aromatizando a mistura, retardando o processo de caramelização e fornecendo assim um caramelo mais cremoso e maçãs cozidas na textura correta. Em adição, a pectina das maçãs também é responsável pela textura cremosa do caramelo.
Tortas semelhantes podem ser preparadas com outras frutas, como pêras, pêssegos frescos e até mangas, porém não podemos nomear essas variações de Tarte Tatin, mas sim de tortas preparadas ao estilo da Tarte Tatin.
A Tarte Tatin pode ser servida morna acompanhada de Chantilly ou sorvete de creme.

Tarte Tatin

Ingredientes
10 maçãs Gala pequenas (para uma forma de 24 cm e 5 cm de profundidade)
125 g de açúcar refinado
125 g de manteiga sem sal
1 fava de baunilha
1 limão Tahiti
1 disco de massa folhada (um pouco maior que o diâmetro da forma)

Modo de preparo

1. Descasque as maçãs, corte-as ao meio no sentido da altura e retire as sementes. Reserve-as em água com um pouco de suco de limão para evitar oxidação.
2. Coloque a manteiga em uma forma ou frigideira funda que possa ir ao forno.
3. Derreta a manteiga em fogo médio e polvilhe todo o açúcar sobre ela.
4. Abra a fava de baunilha, retire o conteúdo com a ponta da faca e adicione-o à mistura de açúcar e manteiga. Coloque a fava de baunilha aberta no fundo da forma.
5. Arranje todas as maçãs sobre essa mistura. Lembre-se que a parte de baixo será a superfície da torta no momento da apresentação.

6. Cozinhe as maçãs, em fogo médio, sacudindo a frigideira de vez em quando por aproximadamente 30 minutos, ou até obter um caramelo cremoso e dourado.

7. Desligue o fogo, e deixe descansar por 10 minutos.
8. Cubra as maçãs com o disco de massa folhada, colocando a massa nas laterais entre as maçãs e a parede interna da forma, fazendo uma "lateral".
9. Leve ao forno (200 C) por aproximadamente 10 minutos ou até que a massa folhada esteja dourada.

10. Retire do forno e deixe descansar por alguns minutos.
11. Coloque um prato na superfície da forma e inverta a torta rapidamente.

Bon Appétit!!!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Jayminho e a arte de comer peixe

Jayme nunca foi uma criança que gostasse muito de peixe. Talvez porque sua mãe só soubesse fazer uma receita – pescada empanada e frita. Ou talvez porque Jayminho tivesse medo, muito medo de se deparar com uma espinha.
Sua avó dizia que muita gente já havia morrido por causa de uma espinha de peixe. E, entre a falta de criatividade na cozinha e o medo de morrer engasgado, preferia nem se arriscar.
E também só a pescada aparecia por lá. Não havia grana sobrando naquela casa, ou se havia, a mesa nunca foi o local destinado a ela.
E Jayminho mastigava pedacinho por pedacinho daquele peixe empanado, que era gostoso, mas o medo de morrer azul e sem ar era tanto que o prazer pelo calor e sabor do peixe desaparecia. Os últimos bocados já estavam frios. Mas o medo de morrer sem ar era demasiado.
E poucas vezes Jayminho se deparou com a perigosíssima espinha, capaz de levar um homem saudável ao leito de morte. Então, quando o momento mais evitado acontecia, Jayminho ficava caçando aquela espinha de peixe na boca, a língua a jogava para um lado e ela se perdia na boca, e o medo aumentava, os dentes a aprisionavam e ela escapava sorrateiramente lubrificada pela saliva, já produzida em abundância. Algumas vezes, a arma mortal escapava da boca e passava para o esôfago e, logo em seguida para o estômago. E Jayminho pensava: quanto tempo para a morte? Momentos de angústia, medo e tensão. Algumas vezes, aquele filamento branco, opaco, mas com algo translúcido, era retirado da boca, por entre os dentes, por entre os lábios. Algumas vezes limpinho, algumas vezes com um pouco da carne do peixe preso a ele. A sensação de alívio era imensa.
Chegou um dia que Jayminho sentiu algo diferente na boca, um gosto amargo, a saliva produzida em quantidade, espumas e viscosidades. Nem precisou procurar tanto, pois esse novo ingrediente indesejado era maior. Quase era possível tateá-lo com olhos de raio-X, os ossinhos, as cartilagens. Esse novo objeto, coisa, utensílio...ele não sabia que nome dar...era maior e de contornos quase definidos. Essa coisa (vamos chamar assim) passava de um canto da boca para outro, passava sobre a língua, superfícies por hora arredondadas, por hora afiladas, ficava presa entre os dentes, escorregava para cá e para lá.
Cuspir ou engolir? Parecia que não havia opção.
Mas Jayminho, cuidadosamente, contrariando os mandamentos, abre a boca e entre os dentes segura a coisa. Com seus dedos finos e bem desenhados a retira da boca. Nem precisou olhar, pois seus olhos de raio X já haviam dado o diagnóstico. O seu dedo indicador, formando uma pinça com seu polegar (símbolo máximo da evolução humana) retira da boca uma engenhoca anatômica. E a pinça humana localizada na extremidade de seu membro superior direito segura uma perninha de rã, já sem pele e sem carne, somente ossos, tendões e cartilagens.
Enquanto essa perna de rã encontra-se firme entre seu indicador e polegar, outra já é sentida dentro da boca, entre seus dentes, rastejando sobre a sua língua. O gosto amargo na boca permanece e agora não há o que fazer, Jayminho a engole. É automático. A perninha de rã, sem pele, sem carne (agora não mais chamada de coisa) desce por sua garganta, pelo seu esôfago, e se encaixa nas curvas de seu estômago – cárdia, corpo, fundo e piloro – e lá permanece, imune ao suco ácido secretado pelas glândulas estomacais.

sábado, 14 de março de 2009

Outono da Alma

Sempre ali, espreitando.
Sempre no escuro,
nas sombras mais claras e brilhantes dos cantos empoeirados dessa sala.
No meio dos escombros de minhas perdas e glórias, ela espreita.
Não ruidosa como uma cigarra, mas não menos silenciosa que uma serpente.
O seu farfalhar é presente.
Sempre ali para afirmar: estou aqui e sou sua senhora suprema.
Como a trepadeira que se enrosca pelas curvas e ângulos de um portão de ferro velho e enferrujado,
ela se embaraça e, perigosamente,
constrói uma nova arquitetura.
Aparentemente frágil.
É negra, brilhante, petrolífera, untuosa.
Pulsa, é viva.
O sol, há muito desaparecido.
A fome, corroendo por dentro, abrindo úlceras e fendas.
E, subindo pelos desenhos corroídos e estampados de uma vida um dia útil,
constrói uma nova não-realidade.
E seu poder, de tão supremo, cega os que se interpõem em seu caminho.
De nada adianta lutar.
Seus ramos, galhos, ramificações, raízes, penetram, machucam,
cursam novos caminhos
e só nos resta permitir a sua intrusão.
O outono chega, e como um disco riscado fundo,
rodando em uma vitrola,
tudo volta,
e volta
e volta.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Só leia caso não tenha algo melhor pra fazer

Me deu uma vontade de escrever nesse exato momento. Mas, sei lá, acho que hoje não tenho muito o que falar, o que escrever. Algumas coisas estão na minha cabeça e na ponta da minha língua, mas, infelizmente não podem ser ditas. Sabe-se lá quem está lendo esse blog. De vez em quando eu entro no sitemeter para ver como anda meu ibope, e chego à conclusão que a grande maioria das pessoas que entram aqui o fazem por engano, pois elas ficam menos de 1 segundo...meio desolador, triste...algumas pessoas ficam um tempão. Bom, acho que gostaram, mas na verdade nunca vou saber. Então, voltando à minha necessidade de escrever. Como se eu fosse algum escritor...mas sabe, tem dias que as coisas fluem, eu tenho uma idéia na cabeça e sei exatamente o que quero fazer com ela. Agora, agorinha mesmo, tenho uma porrada de idéias na minha cabeça, idéias não, palavras. Acho que, na minha cabeça, primeiro aparecem as palavras e, muitas vezes aparecem imagens, e uma coisa puxa a outra e um texto acaba saindo. Então, escrever sobre o que? Vamos ver, acordei. Bom, antes de acordar, dormi, e dormi mal. Alguns dias durmo muito mal, as palavras, paisagens, desenhos e formas ficam pulando na minha cabeça. Essa noite tive sonhos estranhos, um show, lugares escuros, ratos. Eu consigo. Nunca sonho com por-do-sol, coelhos peludos, cachorrinhos, nada disso. Tenho nas gavetas de minha memória sonhos fantásticos. Trens que me perseguem, perseguições em labirintos, pedras que rolam. Devo ser um prato cheio para os psicólogos que estão lendo isso, se é que tem algum psicólogo aqui (o pior é que tenho certeza que tem uma psicóloga lendo isso). Voltando, após dormir mal, já fui para o computador, no meio disso tive um café da manhã estranho – nem lembro o que comi, acho que fruta, suco, algum pedaço de bolo. No computador, ler notícias, responder emails...coisas de sempre. Será que alguém ainda continua lendo esse post? Nada pior do que a descrição do dia de um desconhecido, ou um quase desconhecido. A minha vontade hoje foi a de ficar em casa o dia todo. Sabe aquela vontade de dormir? Dormir o dia inteiro, atravessado na cama, ocupando todo o espaço que podemos ocupar? Mas, tive que sair. Um almoço de negócios (nem empresário sou), bom, um almoço com o meu chefe lá no meio do Riacho Grande. Foi bom ficar afastado da cidade. E lá, no pé da serra, aquele sol de praia. Pensei, podia ter errado o caminho e parado em Santos. Quantas e quantas vezes já falei isso para mim mesmo. Não entre à direita não. Siga em frente – vá para a praia. Um dia acerto, ou melhor, erro...erro e acerto...
Na volta, lógico, erro o caminho, mas não aquele erro que me levaria ao mar, um erro que me fez dar voltas e voltas no asfalto. O mar, a essa altura do campeonato, já era um sonho, e bem distante. Bom, depois de todo erro vem o acerto, pelo menos na minha vida sempre foi assim. Novamente no computador, checo emails, mando outros, e mais outros, e mais ainda. Tenho certeza que quando as pessoas olham para a tela do computador e vêem as minhas mensagens, elas devem ter dois pensamentos: que vontade de apagar sem ler, que saco!! Esse mala de novo!! Olha, não posso fazer nada, e juro que se vocês recebem 2 eu recebo 4 ou 6 no mesmo período de tempo. Logo em seguida, mais uma reunião, no meio de tantas outras. Nessa de hoje acho que falei muito, nem sei se falei o certo, mas falei. Ah, falei o que queria e pronto. Algumas coisas, não entendi, ou melhor, não sei exatamente onde queriam chegar. Bom, acho que não fui o único a não saber onde queriam chegar. Coloco o pé pra fora da sala e um telefone pendurado já é colocado na minha orelha. Problemas. Era tudo o que eu queria. Problemas para encerrar a noite. Vamos lá, pego o carro, entra aqui, sai ali, sobe ponte, desce ponte, faz curva, o calor africano implacável e chego à minha sala. Desce escada, sobe escada, tento barganhar sala de aula com outros professores, e nada, todas as possibilidades que estavam na minha cabeça caem por água abaixo. Pelo menos, alguém me ensinou isso – eu fiz a minha parte e muito bem feita. Mas, chega uma certa hora que não consigo...não tenho tantas ferramentas assim, e transito onde posso. Cansei, cansei, vou embora, para comer – trash food, trash, mas boa. Lógico que até para chegar à comida errei o caminho. Sei lá, acho que a culpa é do sono, da noite mal dormida e dos ratos do sonho. Lá na porta da casa de esfiha tinha um carinha, um moleque, coitado, chinelo, sujo, uma garrafa pet na mão. Devia estar com fome. Comprei esfihas para ele? Não. Por que? Boa pergunta. E enquanto comia, pensava, e se eu comprasse duas esfihas para ele? Meu Deus, penso demais. Se tivesse comprado ele teria jantado, ou pelo menos matado a fome naquela hora. Para voltar não errei o caminho. Só faltava essa também. Errar o caminho tão perto de casa. Volto e nem sei o que fazer. Queria escrever, mas queria ter escrito algo bom, algo com conteúdo, e não essa baboseira aí de cima, que não vai agregar nada à vida de ninguém. Mas, sei lá, estava com vontade de escrever e será que precisamos ser sempre úteis na vida? E agora estou pensando: publico ou não publico?

segunda-feira, 9 de março de 2009

As luzes nas janelas

Meia noite e meia, poucas luzes nos prédios, algumas janelas abertas. Cortinas voando para fora dos quartos.
O calor é insuportável. Uma trovoada, e a chuva começa.
Há vida por detrás das janelas, das cortinas, debaixo das luzes. Mulheres apressadas vêm fechar as janelas, homens acordam. Sim, pouco nos importa, mas há vida ali, a poucos centímetros de nós.
Paredes, lajes e vigas nos separam, por centímetros, milímetros. Poucos metros cúbicos de ar, calor, vapor e partículas separam as nossas vidas. Talvez seja mais prático e dê menos trabalho esquecer que convivemos com centenas, milhares, bilhões de pessoas.
Para que pensar que respiramos o mesmo ar? Respiramos o mesmo ar? O ar que entra nos meus pulmões sai, e entra no seu. O pior está por vir - o ar que sai do seu pulmão entra no meu. Não, não posso aceitar. Se não posso aceitar, talvez seja melhor não pensar.
E o calor continua, aumenta; as janelas fechadas me isolam. Quem sabe não começo a respirar somente o meu ar, como numa reciclagem constante? Não sei, talvez eu me intoxique de mim mesmo.
Preciso respirar. Não vejo outra solução a não ser abrir as malditas janelas e aceitar o fato de que preciso dividir o oxigênio com o vizinho, aquele lá, que está a poucos centímetros de mim.

domingo, 8 de março de 2009

Carinho em forma de baunilha

Joyce, só não perdôo por não ter subido!!! Eu estava aqui!!!
Mas já sei, isso é castigo de outra amiga, que diz que só nos vemos de Pêssach em Pêssach, né Lú??...rsrsrs...

Financier de Pistache


Segundo Tish Boyle, em The Good Cookie, os Financiers foram criados por uma pâtisserie parisiense próxima ao centro financeiro da capital francesa, com a intenção de servir os executivos da área de finanças que frequentavam a pâtisserie. Em referência ao mercado financeiro, os Financiers devem ser assados em pequenas forminhas baixas e retangulares que lembram lingotes de ouro!!
Não sei se a história é verídica ou é mais uma das inúmeras lendas da gastronomia, porém, sabemos que os Financiers clássicos devem ser confeccionados com farinha de amêndoas, que dará um sabor todo especial à esse petit four. Um Financier "honesto" ainda deve levar beurre noisette (manteiga queimada) e claras - somente claras.

A receita abaixo foi trazida, de Barcelona, pela minha amiga Joyce. No lugar da farinha de amêndoas entra a farinha de pistache, o que dá uma cor espetacular ao Financier. Como sempre, fiz algumas pequenas modificações. A receita não pedia a manteiga queimada, mas acho que ela dá um tom bem particular ao sabor e, para reforçar a lembrança do pistache, adicionei um pouco de pasta de pistache (da Fabbri).

Financier de Pistache

Ingredientes
300 g de açúcar de confeiteiro (usei o Glaçúcar)
120 g de farinha de pistache
120 g de farinha de trigo
6 g de fermento químico
180 g de beurre noisette (manteiga queimada, veja abaixo)
20 g de pasta de pistache
300 g de claras (aprox. 10 claras)

Modo de preparo
1. Leve a manteiga ao fogo médio e "ferva" até adquirir um tom âmbar e aroma de nozes assadas. Espere esfriar para usar (ao usar descarte os resíduos que ficaram no fundo da panela).
2. Assim que a manteiga esfriar, junte as claras e a pasta de pistache. Reserve.
3. Peneire o açúcar, a farinha e o fermento em um bowl. Junte a farinha de pistache.
4. Junte as duas misturas e homogenize bem.
5. Cubra e leve ao refrigerador por 24 horas.
6. No momento de assar, transfira a massa para forminhas retangulares untadas e enfarinhadas (ou forradas com papel como eu fiz) e asse à 180 C por 10 minutos.

terça-feira, 3 de março de 2009

Yes, nós temos bananas!

Nesse calor africano que estamos vivendo aqui em São Paulo, não somos os únicos a desfalecer...as bananas duram muito pouco...a cor amarela vai dando lugar às pintinhas, manchas, marcas...sinais da idade...e as drosófilas (vulgo mosquito de banana) surgem do nada e vão se apoderando dos cachos.
Antes que as bananas daqui de casa sejam içadas pelas drosófilas, elas acabam no forno (as bananas, não as drosófilas!!!).

Bolo de banana, amêndoas e chocolate

Bolo de Banana
Adaptado a partir de uma receita de Banana Bread, do Baking and Pastry, CIA

Ingredientes
Massa mãe
425 g de farinha de trigo
425 g de açúcar refinado
2,5 g de fermento químico
7 g de bicarbonato de sódio
2,5 g de sal
645 g de bananas nanicas bem maduras (peso da polpa, sem casca)
30 ml de Grand Marnier
3 ovos inteiros
140 ml de óleo

Para o bolo com amêndoas e chocolate
120 g de farinha de amêndoas
120 g de gotas de chocolate ao leite

Para o bolo com uvas passas
150 g de uvas passas embebidas em Grand Marnier

Modo de preparo
1. Junte a farinha, açúcar, fermento, bicarbonato e o sal em um bowl. Reserve.
2. Junte os ovos e o óleo. Bata com o fouet para emulsionar. Reserve.
3. Amasse as bananas e junte o Grand Marnier (os 30 ml). Reserve.
4. Homogenize essas misturas.
5. Separa a masse em dois bowls.
6. Em um deles acrescente a farinha de amêndoas e o chocolate e transfira para uma forma de bolo inglês revestida com papel manteiga.
7. Na outra metade acrescente as uvas passas e faça o mesmo processo.
8. Leve ao forno à 180 C até assar completamente.

Bolo de banana e uvas passas