Espaço dedicado a pensamentos, poesias & devaneios. Sabor, comida, viagens, fotos, livros e o que mais der na telha (ou no forno).

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Nomes e sabores do Brasil

A cultura gastronômica brasileira é tão rica tanto em sabores quanto em nomes. Aqui no sudeste quando falamos em pé-de-moleque nos referimos à um doce caramelizado feito com amendoins inteiros - uma espécie de "praline em barra" cortado em losangos, tendo sua origem em Portugal, onde usam pignoli no lugar de amendoins. Porém, no Nordeste temos o fantástico Bolo pé-de-moleque também conhecido como Bolo Preto, decifrado com precisão pela Chef Lúcia Soares, que me trouxe esse mimo de Pium/RN.
A chef explica que "o bolo preto é originário de Portugal, encontrado sobretudo na região do Algarve e na Ilha da Madeira. Considerado uma iguaria dos festejos natalinos lusitanos ou como o bolo de casamento dos noivos do campo é composto de mel, melaço, açúcar branco ou amarelo, farinha de trigo, especiarias, frutas secas e ou cristalizadas, café ou chocolate, fermento ou bicarbonato. No Brasil também ficou conhecido como Bolo preto, mas é como Bolo pé-de-moleque que ganhou fama no Nordeste, presença indispensável nas festas juninas. Em alguns lugarejos ainda se preserva o hábito de reunir a família para preparar o bolo preto para o Natal como na Praia de Pirangi do Norte/RN. O bolo preto brasileiro é composto de mel de rapadura e massa puba (massa mole de mandioca), castanha de caju, leite de coco, cravo e canela, banha ou margarina e farinha fina de mandioca."


Chef Lúcia também trouxe em sua mala os deliciosos Sequilhos nordestinos, bem diferentes dos nossos aqui da terra da garoa. Segundo a chef, "Os sequilhos são biscoitos tradicionais portugueses, muito secos e leves compostos por ovos, açúcar e farinha de trigo. No Brasil encontramos sequilhos de maisena, araruta e polvilho. No Nordeste os sequilhos são feitos de goma e têm uma textura muito macia e fofa e formato de flores." Além disso, diz a chef que esses sequilhos podem ser chamados de "broa de goma", uma vez que um de seus ingredientes é a goma (de mandioca).
Os trazidos por Chef Lúcia levaram coco na receita e foram confeccionados pelo artesão Zé Francisco, de Redinha/RN.

sábado, 26 de julho de 2008

Um passeio singelo


Inspirados pelas dicas fornecidas pela Débora e pelo Fernando do Brincando de Chef, resolvemos, eu e mais três amigos, dar um passeio por Embu das Artes. É lá que acontece o 2º Festival Gastronômico de Inverno. Durante o mês de julho, aos finais de semana, os principais restaurantes da cidade oferecem os pratos que representam a especialidade da casa e a tradição da região. Além disso, comemora-se na cidade o Centenário Solano Trindade - o maior nome da poesia negra do Brasil.
Os quatro esfomeados optaram por uma comidinha light...rsrsrsrs...preparada pelo Cabana do Embu. O prato Tutu à "Mineirinho" faz referência ao poema "Mineirinho" de Solano Trindade e leva tutu de feijão, lombinho de porco, leitão à pururuca, couve, arroz e banana à milanesa.


Caipirinha de Limão Cravo


Tutu à "Mineirinho"

Voltando para São Paulo pela Régis Bittencourt, resolvemos parar na Casa da Pamonha, onde pudemos provar um ótimo pudim de milho, até o momento uma novidade para nós.

Curaus e mais curaus...


Pudim de Milho

Tem gente com fome

“Trem sujo da Leopoldina,/ Correndo correndo,/Parece dizer:/ Tem gente com fome,/ Tem gente com fome,/ Tem gente com fome.../ Piiiii!/(...) Só nas estações,/Quando vai parando,/Lentamente, começa a dizer:/Se tem gente com fome,/Dai de comer.../Se tem gente com fome,/Dai de comer.../Mas o freio de ar,/Todo autoritário,/Manda o trem calar:/Psiuuuuu...”

Solano Trindade

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Focaccia, focaccia, focaccia!!!!!!

Focaccia de tomate e aliche

Focaccia de cebola roxa, lascas de parmesão e ervas

Focaccia de alcachofra e mini tomates italianos

A focaccia é um típico pão italiano que pode levar uma série de "coberturas" ou simplesmente ervas, azeite e sal grosso. Como a massa apresenta um sabor bem neutro pode-se caprichar nas coberturas, mas nunca esqueça de regar com uma boa quantidade de um BOM azeite e um pouco de sal grosso antes de levar ao forno.

FOCACCIA (rende uma assadeira de 25 cm x 30 cm)

Farinha de trigo 500 g

Leite integral 250 ml

Manteiga sem sal 40 g

Açúcar refinado 50 g

Fermento biológico fresco 30 g

Sal refinado 5 g

Sugestão de coberturas: tomates frescos ou secos, lascas de parmesão, azeitonas, aliche, coração de alcachofra, cebola fatiada crua, ervas, toucinho frito em cubos, alho poró refogado......etc, etc....azeite e sal grosso

1. Dissolver o fermento em um pouco de leite morno (cuidado com a temperatura do leite, se estiver quente demais "mata" o fermento), incorporar os demais ingredientes e trabalhar (sovar) a massa até obter uma mistura bem macia, mas que desgrude dos dedos. 2. Deixar a massa descansar em recipiente untado com azeite, coberta, por 30 minutos, ou até dobrar de volume.
3. Após isso, transfira a massa para uma assadeira untada com azeite e com as mãos estique a massa até que cubra toda a assadeira. 4. Novamente deixe fermentar por 30 minutos ou até que dobre de volume. 5. Faça furos com a ponta dos dedos, coloque a cobertura desejada, regue com azeite, salpique sal grosso e leve ao forno (180 C) até dourar.

Obs.1: não acrescente toda a farinha de uma só vez, coloque 3/4 da quantidade e, se necessário, acrescente o restante. Lembre que a massa deve ficar bem macia....só coloque farinha necessária para não grudar nas mãos. Isso garantirá que, após assada, a focaccia permaneça bem macia.

Obs.2: é super tranquilo fazer essa massa na batedeira, desde que a sua tenha o batedor para massas, mais conhecido como "gancho". Afinal, ninguém precisa pagar os pecados sovando pão, né?

Bom apetite!!!!!!

domingo, 20 de julho de 2008

A Ausência

Erika...você perdeu, mas adoramos os cookies engordantes!!!!

Um jantar à luz de velas

Estiveram presentes:
G., misteriosa...uma musa de Buñuel.
H., o menino que conta causos, e que nas horas vagas é blogueiro.
R., o intelectual das sentenças de duplo sentido.
D.N., a gueixa que faz promessas...talvez para tornar-se mais linda.
D.V., a gueixa gourmet (que adora lavar louça???).
K., não é gueixa, mas é gourmet e adora uma bebidinha...
I., aprendiz de chef, sempre de olho no que acontece na cozinha.
D.R.V., decorador de ambientes e atrapalhado, que em um momento que eu abri o forno, conseguiu arremessar uma faca que ficou presa na porta do forno (difícil explicar como ficou presa...) e após o trabalho de três pessoas utilizando outra faca, uma pinça de carne e um hashi foi retirada sem maiores estragos.
M. (ou B., ou M.B.), a pessoa que escreve esse blog, naturalmente ansioso, que descobriu que limpar a casa, fazer compras e preparar um jantar no mesmo dia não dá muito certo.

O menu

Para atiçar o paladar e a curiosidade...Creme de Cabotchan, com toques de cravo e gorgonzola

Para clarear as idéias...Saladinha de mini folhas, tomatinhos e mussarela de búfala

Para acalentar a alma...Filé mignon recheado com jamón e tomate confit, acompanhado de gratinado de batatas com funghi porcini

Para adoçar a noite...Tiramisú




sexta-feira, 18 de julho de 2008

O Bolo das Bananas que Migram para o Sul

Desde que encontrei essa receita em uma embalagem de Fermento Royal me apaixonei...por esse bolo...sempre o faço (tá bom...fazia um tempinho já)...é um dos meus preferidos. Mas vejam oque aconteceu: as bananas vão por cima...e dentro do forno algumas vezes elas nem se mexem, e em outras elas descem até o meio do bolo. Nessa fornada as malditas foram descendo, a massa subindo...bananas descendo e...finalmente alcançaram o lugar que tanto desejaram...o fundo da assadeira. Sei lá, em um dia de inverno, acho que elas estavam à procura de um lugar mais quentinho. Lógico que tudo na vida tem uma explicação (ou quase tudo). Substituí o leite por creme de leite, que estava sobrando na geladeira...e como tenho pavor de jogar comida fora, achei que cairia bem um pouco mais de gordura na massa...rsrsrsr....Bom, de qualquer forma, bananas em cima, ao meio ou embaixo, esse bolo fica uma delícia!!!!
Esse post é especial para você...garota Gastronómica...que fica aí com chefs moleculares, desconstrutores do alimento e não dá a mínima para as nossas bananas...Yes, nós temos bananas!

BOLO CUCA de BANANA
De acordo com o original (embalagem do fermento em pó químico Royal, anos 80)

Ingredientes
1 xícara de chá de açúcar
100 g de manteiga ou margarina
4 ovos
1/2 xícara de chá de leite
2 xícaras de chá de farinha de trigo
4 colheres de chá de Fermento em Pó Royal (com outras marcas deve funcionar né...rsrsrsrsr)
1/2 colher de chá de sal
6 bananas d'água (nanica)
Canela e açúcar para polvilhar
Modo de preparo
1. Bata em creme o açúcar com a manteiga e os ovos.
2. Junte o leite e a farinha peneirada com o fermento e o sal. Bata bem.
3. Coloque um forma untada e enfarinhada. Corte as bananas ao meio no sentido do comprimento e coloque sobre a massa. Polvilhe com açúcar e canela.
4. Asse em forno moderado (180 C à 190 C) por 25 minutos.
Obs.: Assei à 180 C e, por mais de 25 minutos.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

"Um acontecimento inesperado"


"Engana-se quem pensa que o bolo é um alimento. Nada disso. Alimento é carboidrato, é proteína, é vitamina, é o que a gente come para continuar em pé, para ir trabalhar e pagar as contas. Bolo não. É uma demonstração de carinho de uma pessoa a outra. É um mimo de avó. Um acontecimento inesperado que irrompe no meio da tarde, alardeando seu cheiro do forno para a casa, da casa para a rua e da rua para o mundo. É o que a gente come só para matar a vontade, para ficar feliz, é um elogio ao supérfluo, à graça, à alegria de estarmos vivos."
Trecho do texto Time is honey, de Antonio Prata
http://blogdoantonioprata.blogspot.com/

BOLO DE LARANJA COM SEMENTES DE PAPOULA

Ingredientes
Farinha de trigo 145 g
Açúcar refinado 200 g
Manteiga sem sal derretida 85 g
Fermento em pó químico 5 g (1 colher de chá)
Raspas de duas laranjas
Ovos inteiros 3 unidades
Creme de leite fresco 85 ml
Sementes de papoula a gosto

Modo de preparo
1. Bater os ovos com o açúcar até obter um creme claro e aerado.
2. Com a batedeira em velocidade baixa adicionar a farinha de trigo e o fermento.
3. Acrescentar a manteiga derretida e as raspas de laranja.
4. Adicionar o creme de leite e as sementes de papoula e bater somente até homogenizar.
5. Assar em forno à 180 C até dourar.

A Sombra


"Desses dois mundos, um se reduzia à casa paterna, e nem mesmo a abarcava toda; na verdade, compreendia apenas as pessoas de meus pais. Esse mundo era-me perfeitamente conhecido em sua maior parte; suas principais palavras eram papai e mamãe, amor e severidade, exemplo e educação. Seus atributos eram a luz, a claridade, a limpeza. As palavras carinhosas, as mãos lavadas, as roupas limpas e os bons costumes nele tinham centro. Nele se cantavam os coros matutinos e se festejava o Natal. Nesse mundo havia linhas retas e caminhos que conduziam diretamente ao porvir; havia o dever e a culpa, o remorso e a confissão, o perdão e as boas intenções, o amor e a veneração, os versículos da Bíblia e a sabedoria. Nesse mundo devia-se permanecer para que a vida fosse clara e limpa, bela e ordenada.
O outro mundo começava - curioso - em meio à nossa própria casa, mas era completamente diferente: tinha outro odor, falava de maneira diversa, prometia e exigia outras coisas. Nesse segundo universo havia criadas e aprendizes, histórias de fantasmas e rumores de escândalo; havia uma onda multiforme de coisas monstruosas, atraentes, terríveis e enigmáticas, coisas como o matadouro e a prisão, homens embriagados e mulheres escandalosas, vacas que pariam e cavalos que tombavam ao solo; histórias de roubos, assassinatos e suicídios. À nossa volta havia todas essas coisas belas e espantosas, selvagens e cruéis; na rua ao lado, no interior da casa vizinha, policiais perseguiam ladrões; homens embriagados batiam em suas esposas; grupos de moças saíam das fábricas ao anoitecer; havia velhas que enfeitiçavam as pessoas ou lhes causavam desditas; no bosque se ocultava um bando de salteadores; os guardas florestais perseguiam ladrões e incendiários...enfim, por todo lado brotava e fluía esse outro mundo impetuoso, em todo lado, menos em nossos aposentos, ali onde estavam meu pai e minha mãe. E isso era magnífico. Era maravilhoso que ali houvesse paz, ordem, repouso, deveres cumpridos e consciência tranqüila, perdão e amor...; mas era também admirável que existisse aquilo tudo mais: o estrepitoso e o agudo, o sombrio e o violento, de que se podia escapar imediatamente, refugiando-se quase de um salto no regaço materno."

Demian, Hermann Hesse.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Esse menino só quer feijão!!!

Minha mãe sempre conta que quando eu ficava com a minha avó, na hora do almoço eu pedia feijão...só feijão, sem arroz. Minha avó ligava para a minha mãe e falava: Esse menino só quer feijão!!! Ao que minha mãe respondia: Ele é assim mesmo...só gosta de feijão...rsrsrsrs
Passados 20, 30 anos...ai meu Deus...continuo o mesmo. Há exatamente uma semana estou com desejo de sopa de feijão branco e todo dia aparecia algum compromisso e deixava de fazer o tal do feijão. Bem, hoje consegui!!!!
Nem acho que essa seja uma receita blogável, pois 99% da humanidade deve saber preparar uma sopa de feijão, mas, por questões emotivas segue a sopa de feijão branco que acabei de saborear (meio sem medidas, porque feijão que se preze é feito no olhômetro...rsrsrsrs).

SOPA de FEIJÃO BRANCO

Refogue, com uma colher de azeite, um pouco de toucinho defumado em fogo baixo para que ele libere bastante gordura. Adicione uma cebola em cubos bem pequenos (brunoise) e refoque até ficar translúcida. Adicione três dentes de alho bem picados. Logo em seguida 500 g de feijão branco (demolhado por 12 horas). Cubra com caldo de legumes (fiz uma mistura de legumes e carne)*. Acrescente uma folha de louro, um raminho de alecrim e uns três de tomilho. Adicione um paio inteiro. E agora cozinhe, cozinhe, cozinhe (se preferir use panela de pressão). Quando o feijão estiver macio, retire o paio, fatie e reserve-o. Processe um pouco do feijão e volte essa pasta à panela para dar mais consistência ao caldo. Volte o paio fatiado, e adicione dois tomates concassé (sem pele, sem sementes e em cubos), salsinha, cebolinha e manjericão. Desligue o fogo.
No decorrer do processo e ao final vá ajustando o sal e a pimenta do reino.
Sirva com um fio de azeite....e bom apetite.
Simples, simples...deliciosa...

* usei um caldo de legumes em cubos sem sal de uma marca espanhola Santiveri e caldo de carne em pó da Nestlé FoodServices. Lógico que caldos caseiros são mais saborosos e saudáveis.

Para adoçar o dia

A origem do nome está no sânscrito sarkara, que os árabes chamaram de sukkar, do latim saccharum (açúcar de cana), gerando as formas sugar (inglês), sucre (francês), zucchero (italiano), zucker (alemão), azúcar (espanhol) e açúcar em português.*
Todos os doces da travessa são dos doceiros de Praia Grande, que mostraram a sua arte no Revelando São Paulo (postagem abaixo): cocada de jaca, cajuzinho, doce de abóbora, de batata doce, de batata roxa, cocada de maracujá, doce de casca de laranja e de abacaxi cristalizados.
*Texto retirado do livro Doces Sabores, de Rosa Belluzo e Marina Heck.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A Queda do Império Polignanese ou Tudo acaba em Pizza

Oração de São Vito
Ó Glorioso São Vito, protegei nossas crianças, nossos jovens e nossas famílias; defendei nossos lares contra toda má influência; abençoai os trabalhadores; fazei com que imitando suas virtudes aqui na terra, perseverantes no amor e na mansidão, possamos, como filhos e filhas de Deus, convosco louvarmos eternamente a Santíssima Trindade nos céus.
Amém.

A idéia inicial era conhecermos a Festa de rua São Vito Mártir. Essa tradicional festa é o ponto alto da vida da comunidade polignanesa em São Paulo e acontece desde 1918 no Brás. Desentendimentos ocorridos entre os organizadores (Igreja e Associação) fez com que a festa se dividisse em duas, uma atualmente mantida pela Associação Beneficente São Vito Mártir (Festa realizada na quadra da creche mantida pela associação) e outra pela Igreja de São Vito (Festa realizada na rua). Já conhecíamos a festa mantida pela associação, por sinal, uma festa maravilhosa, repleta de pratos típicos. Só faltava agora conhecermos a festa mantida pela Igreja, a tal da festa de rua....
Bom, chegando lá...descendo a rua, aparece uma barraca de milho cozido, mais a frente uma de espetinhos, logo após, uma barraca de pastéis batizados com nomes de cidades italianas....em frente, uma barraca de pizza folhada (???)...o som...rolando um axé...não preciso dizer mais nada...decepção completa...
Graças a São Vito Mártir, alguém deu a nobre sugestão de irmos à Castelões, bem próxima ao local que estávamos e...bom...a foto abaixo mostra oque é uma deliciosa pizza italiana: massa grossa, chamuscada pelas chamas, recheio delicado e leve.
Afortunadamente, tudo acabou em pizza!!!

Castelões
Rua Jairo Góis, 126
Brás, Centro
3229-0542


domingo, 13 de julho de 2008

VII. A Doçaria

Balas de coco recheadas

Balas de coco caramelizadas

Doces de abóbora e doces de leite

Cocada de maracujá

Cocada de jaca

Diz o sociólogo Giberto Freyre: Devemos a arte da doçaria brasileira às donas de casa, às negras de cozinha e aos pretos doceiros. A origem dos doces mais verdadeiramente brasileiros é patriarcal e seu preparo foi sempre um dos rituais mais sérios da antiga vida de família das casas-grandes e dos sobrados, embora não faltassem freiras quituteiras que aqui continuassem a tradição dos conventos portugueses.

Doces muito açucarados eram preparados nas cozinhas das sinhazinhas, que trouxeram em sua bagagem receitas tradicionais e ensinaram as especialidades da doçaria portuguesa às negras mucamas e a alguns negros que freqüentavam as cozinhas das casas-grandes, e que acabaram por se tornar especialistas na arte da confeitaria.

Carentes de produtos europeus, as sinhazinhas e as mucamas, inventivas, adaptaram as receitas tradicionais, adotando os produtos da terra: as suculentas frutas tropicais, o melado, a rapadura e o açúcar cristal.

Texto retirado do livro Doces Sabores, de Rosa Belluzo e Marina Heck.

VI. Culinária - a refeição

Galinhada

Tutu

Arroz vermelho, mandioca, torresmo

Rojão - carne suína socada no pilão e assada na brasa

Linguiça

V. Culinária - os petiscos

Bolinho caipira de carne


João Deitado - broinha de milho assada na folha de bananeira

Pastel caipira - massa de farinha de milho com recheio de carne, frango ou pupunha

IV. Culinária - equipamentos


"O português trouxe para o Brasil o forno, fechado em forma de abóbada, e o horizontal, chapa de ferro com dois, três e mais orifícios, para as panelas e caçarolas."*
É o nosso fogão a lenha...
*Cascudo, Luís da Câmara. História da Alimentação no Brasil.

III. A Religiosidade

O povo diz: "São Benedito na cozinha garante fartura"



Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, rogai por nós...

II. A Comemoração






O Revelando São Paulo foi recheado de apresentações de festas, quase sempre desconhecidas pela grande maioria - Folia de Reis, Festas do Divino, de São Gonçalo, Congadas, romarias, tropas de bois e violeiros. Em um momento onde grupos de pagode e sertanejo de péssima qualidade invadem cada canto desse país e, tragicamente, ferem nossos ouvidos, é reconfortante escutar modas que foram cantadas pelos nossos avós, e ver cenas que enchem nossos olhos das cores do nosso folclore - azul turquesa, vermelho vivo - cores de um passado que ainda vive.
Foram tantas as apresentações que fica difícil lembrar de todos os grupos, mas as duas primeiras fotos acredito que sejam de um grupo de Cruzeiro, onde os "palhaços" dançam para apanhar as moedas que o público joga no palco...muito colorido e divertido.
A terceira foto mostra a delicada apresentação de um grupo de meninas, sempre cantando e dançando, fazendo a Dança da Fita; uma dança com cestos e uma engraçadíssima encenação na qual um garotinho tenta fazer com que a esposa deixe de lado a pinga (cachaça), oferecendo a ela vários presentes, mas ela ainda insiste em tomar pinga e não aceita nenhum dos presentes, somente quando ele oferece dinheiro ela se dá por vencida....mas aceita o dinheiro para comprar mais.....pinga....rsrsrsrsrssr
A foto abaixo mostra um grupo de Fandango (de Capela do Alto), com seu contagiante "sapateado" e a última foto mostra a Cavalhada Distrito de Catuçaba, recriando a batalha entre Mouros e Cristãos.