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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Uma Terra de Poucas Palavras

Cena 1: Tarde quente de agosto, dois professores de gastronomia, em busca de novos sabores e saberes aventuram-se pelo Nordeste paulistano. Logo alí no Brás, na Rua Paulo Afonso, esconde-se a sucursal do mundo da gastronomia Nordestina.
Cena 2: Somos recebidos por Lampião, homem de poucas palavras. A cada pergunta, escutamos um não, no máximo...um sim, na maioria das vezes...um grunhido:
-Isso é um apito?
-É.
-Tem sino de vaca?
-Não.
-Tem farinha ovinha?
-grunhido...
Cena 3: Nossos olhos voltam-se para ele...mas nem Padre Cícero Romão Batista é capaz de nos proteger. Dividem a mesma cena...Padre Cícero e Lampião. Deus e o Diabo na Terra do Sol...

Cena 4: Os professores vão revirando as lojas...camarão seco, defumado, sandálias de couro, cabaças, pertences para feijoada, rapaduras, peixes secos, cachaças, farinhas, farinhas, mais farinhas, chapéus, chifres...outro mundo...bem debaixo de nossos narizes...

Cena 5: Procurando o queijo de coalho perfeito:
-Qual é bom para grelhar?
-Esse.
-Vamos levar.
-Só a peça.
-Não porciona?
-grunhido...

Cena 6: Um dos professores acha o sino de vaca (ele vai mesmo usar esse sino para chamar os alunos?). Fica na dúvida entre os tamanhos.....O outro professor reza pedindo à Padre Cícero que ele decida rapidamente qual levar, pois a digníssima Maria Bonita não é mulher de muitas palavras e demonstra impaciência.

Cena 7: Um rapaz tenta comprar algo de madeira...algo...com orelhas (???). Seria um enfeite? Um brinquedo? Ele não consegue explicar o que quer, a vendedora não entende....Os professores saem da loja discretamente após presenciar essa conversa surreal no agreste da selva de pedra paulistana.

Cena 8: Chegam ao Chitão e são atendidos com carinho pelo Seu Riva, esposa, e Daniel, o filho do simpático casal. Perdido em um mundo de grãos e sementes, um dos professores opta por doces de caju em calda, doce de buriti e massa puba. Ganha de presente um pedaço de Bolo Barra Branca...

Cena 9: Marcado profundamente pela tarde ao sol acompanhado por Lampião, Maria Bonita e Padre Cícero, o professor que vos escreve chega ao seu lar são e salvo e pôde fotografar calmamente os tesouros do agreste Nordestino, que serão desvendados em cenas dos próximos capítulos.

4 comentários:

  1. ótimo relato da sua viagem!!! até senti os aromas lendo aqui em casa!!
    adoro mto esses lugares, e diga-se de passagem que a idéia do sino de vaca para os alunos é ótima!! só falta agora um tocador de boi (aqueles que dão choque sabe??) pra colocar os alunos na sala....hahahahahaha
    abração!!

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  2. Que legal !!!
    Adorei o texto

    xx henrique teixeira

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  3. Bergamo...quem sabe se vc nao fosse um professor de gastronomia, seria um de literatura...?...
    Ahm, ham.
    Amei!
    Bjs!

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  4. Grande aventura, Bergamo, gostei do relato da viagem. Gostei também das lojas que visitou. De repente fiquei com saudades das que existiam por aqui e resistiam à modernização mas que, com a normalização e leis da CEE, acabaram por desaparecer!

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