Foto de Silvestre Silva (detalhe)Está aí uma fruta que agrada a poucos, muito poucos acredito eu. Estudando um pouco mais acerca dessa fruta percebe-se que nossos colonizadores se assustaram com as proporções, tanto da jaqueira como de seu fruto e seu sabor parece não ter sido apreciado pelos Europeus.
"Jaqueira é uma árvore vinda (...) da Ásia e monstruosa no seu tamanho (...) produz (...) a jaqueira frutos monstruosos (...)."
Luiz dos Santos Vilhena, Cartas de Vilhena. Notícias soteropolitanas e brasílicas, vol.2. (1787/1799)
"(...) a jaca (...) cujo sabor é dum doce desagradável (...)."
Príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied, Viagem ao Brasil (1815)
"(...) tem um sabor adocicado que lisonjeia a princípio o paladar, mas, por falta de acidez se torna em breve insípido (...)."
Louis François de Tollenare, Notas dominicais tomadas durante uma viagem em Portugal e no Brasil em 1816, 1817 e 1818
A jaca (Artocarpus integrifolia L.), tem seu nome derivado do malaio chakka. É um fruto originário das montanhas da Índia, introduzida no Brasil pelos colonizadores portugueses em meados do século XVII, adaptando-se facilmente ao nosso clima tropical. Fruta muito apreciada no Norte e Nordeste, onde é consumida preferencialmente in natura.
Apresenta características marcantes - tamanho descomunal, pesando cerca de 15 kg, sabor e perfume indescritíveis - é consumida amplamente em doces e compotas. Devido ao seu alto teor de açúcares, gorduras e proteínas, chega a ser um substituto da carne no Nordeste brasileiro, onde preparam-se receitas salgadas com a "carne de jaca" moída.
São três as suas variedades: jaca mole, jaca dura e jaca-manteiga, um tipo de jaca mole, de bagos um pouco mais consistentes e significativamente mais doces.
São três as suas variedades: jaca mole, jaca dura e jaca-manteiga, um tipo de jaca mole, de bagos um pouco mais consistentes e significativamente mais doces.
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Jaca em calda
Receita de Maria Thereza A. da Costa, Supplemento ás Noções de Arte Culinaria, 2ª edição, de 1931. (acentuação e ortografia da época)
Abre-se uma jaca, tiram-se-lhes os favos e a pellicula adherente á parte interior destes; feito isso, levam-se os favos, em agua fria ao fogo para ferver. Depois de fervidos, retiram-se para agua fria, onde ficam até o dia seguinte. Faz-se, então, uma calda rala, juntam-se-lhes os favos e deixa-se que fiquem bem passados da calda e esta tome o ponto de fio. Deixa-se esfriar e despeja-se o doce.
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Referências:
Equipamentos, usos e costumes da Casa Brasileira - Alimentação, Fichário Ernani Silva Bruno
Frutas Brasil Frutas, Silvestre Silva
Pequeno Dicionário de Gastronomia, Maria Lucia Gomensoro
Supplemento ás Noções de Arte Culinaria, Maria Thereza A. Costa

Sinceramente, já tinha lido em Jorge Amado sobre a jaqueira, nas telenovelas sobre a jaca mas nunca tinha visto a fruta descomunal que é!
ResponderExcluirBergamo, conseguiu despertar a minha curiosidade. Vou procurar esse doce de jaca para provar!
Sempre me perguntei de onde vinha a jaca (verdade) agora você matou minha curiosidade!!
ResponderExcluirAdoro muito jaca, mais acho que isso ja era de se esperar de mim, o avestruz!! hehehehe
Legal, gostei muito do seu empenho em pesquizar todas as informaçoes a respeito da jaca e tudo mais.
ResponderExcluirQue aquele docinho, da foto, tem um sei la o que de rapadura, até.
Mas apesar de eu sempre esperar mudar a minha opiniao a respeito de uma coisa, com a pobre jaca nao deu certo, nao. Pq de partida, eu ja nem gostei do cheiro! E como ela nao era, assim, um camembert daqueles autenticos e fedidos, que eu gosto tanto, seu gosto tb deixou e muuuito a desejar.
Enfim: fazer o que...!
Bjs!
Blééééé! Odeio jaca...
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