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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A fruta monstruosa

Foto de Silvestre Silva (detalhe)

Está aí uma fruta que agrada a poucos, muito poucos acredito eu. Estudando um pouco mais acerca dessa fruta percebe-se que nossos colonizadores se assustaram com as proporções, tanto da jaqueira como de seu fruto e seu sabor parece não ter sido apreciado pelos Europeus.

"Jaqueira é uma árvore vinda (...) da Ásia e monstruosa no seu tamanho (...) produz (...) a jaqueira frutos monstruosos (...)."
Luiz dos Santos Vilhena, Cartas de Vilhena. Notícias soteropolitanas e brasílicas, vol.2. (1787/1799)

"(...) a jaca (...) cujo sabor é dum doce desagradável (...)."
Príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied, Viagem ao Brasil (1815)

"(...) tem um sabor adocicado que lisonjeia a princípio o paladar, mas, por falta de acidez se torna em breve insípido (...)."
Louis François de Tollenare, Notas dominicais tomadas durante uma viagem em Portugal e no Brasil em 1816, 1817 e 1818

A jaca (Artocarpus integrifolia L.), tem seu nome derivado do malaio chakka. É um fruto originário das montanhas da Índia, introduzida no Brasil pelos colonizadores portugueses em meados do século XVII, adaptando-se facilmente ao nosso clima tropical. Fruta muito apreciada no Norte e Nordeste, onde é consumida preferencialmente in natura.
Apresenta características marcantes - tamanho descomunal, pesando cerca de 15 kg, sabor e perfume indescritíveis - é consumida amplamente em doces e compotas. Devido ao seu alto teor de açúcares, gorduras e proteínas, chega a ser um substituto da carne no Nordeste brasileiro, onde preparam-se receitas salgadas com a "carne de jaca" moída.
São três as suas variedades: jaca mole, jaca dura e jaca-manteiga, um tipo de jaca mole, de bagos um pouco mais consistentes e significativamente mais doces.

Doce de jaca, presente dos Chefs Paravati e Gomes Lucas
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Jaca em calda
Receita de Maria Thereza A. da Costa, Supplemento ás Noções de Arte Culinaria, 2ª edição, de 1931. (acentuação e ortografia da época)
Abre-se uma jaca, tiram-se-lhes os favos e a pellicula adherente á parte interior destes; feito isso, levam-se os favos, em agua fria ao fogo para ferver. Depois de fervidos, retiram-se para agua fria, onde ficam até o dia seguinte. Faz-se, então, uma calda rala, juntam-se-lhes os favos e deixa-se que fiquem bem passados da calda e esta tome o ponto de fio. Deixa-se esfriar e despeja-se o doce.
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Referências:
Equipamentos, usos e costumes da Casa Brasileira - Alimentação, Fichário Ernani Silva Bruno
Frutas Brasil Frutas, Silvestre Silva
Pequeno Dicionário de Gastronomia, Maria Lucia Gomensoro
Supplemento ás Noções de Arte Culinaria, Maria Thereza A. Costa

4 comentários:

  1. Sinceramente, já tinha lido em Jorge Amado sobre a jaqueira, nas telenovelas sobre a jaca mas nunca tinha visto a fruta descomunal que é!
    Bergamo, conseguiu despertar a minha curiosidade. Vou procurar esse doce de jaca para provar!

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  2. Sempre me perguntei de onde vinha a jaca (verdade) agora você matou minha curiosidade!!
    Adoro muito jaca, mais acho que isso ja era de se esperar de mim, o avestruz!! hehehehe

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  3. Legal, gostei muito do seu empenho em pesquizar todas as informaçoes a respeito da jaca e tudo mais.
    Que aquele docinho, da foto, tem um sei la o que de rapadura, até.
    Mas apesar de eu sempre esperar mudar a minha opiniao a respeito de uma coisa, com a pobre jaca nao deu certo, nao. Pq de partida, eu ja nem gostei do cheiro! E como ela nao era, assim, um camembert daqueles autenticos e fedidos, que eu gosto tanto, seu gosto tb deixou e muuuito a desejar.
    Enfim: fazer o que...!
    Bjs!

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  4. Blééééé! Odeio jaca...

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