Não quero dar início a nenhuma polêmica, pois todos sabem que os franceses são muito bons no que fazem. Mas, são os melhores? Difícil responder, apenas gostaria de dizer que são os mais organizados e sistemáticos, e foram suficientemente sábios por colocarem no papel suas técnicas, seus ingredientes e preparações.
Nesse último evento, alguns chefs me chamaram atenção pela dedicação e interesse em transmitir uma gastronomia que acabou por se tornar, erroneamente, uma referência mundial de luxo e sofisticação. Porém, a gastronomia francesa não é apenas ostentação, e no meio de tantas trufas, ostras e foie gras, ingredientes que, ingenuamente, assimilamos como emblemáticos da culinária francesa, muita coisa boa foi falada.
Jean Michel Lorain
Gênese de um prato sobre o tema ostra
O chef demonstrou uma receita que explica como se cria um prato, e acaba por servir várias cumbuquinhas aos seus clientes mostrando cada uma das etapas de produção do seu prato. Ainda fala que a criação de um prato vem da experiência e da história pessoal, sempre priorizando os produtos locais. Como muitas pessoas sempre têm dúvidas de como se dá o processo criativo de um chef, gostei bastante da maneira como o chef Lorain “decupou” a sua criação - baseada em um prato muito comum na França, o pão de centeio servido com ostras.
Imagem retirada do material distribuído no congresso
Roland Villard
Baixa caloria e alta gastronomia
Villard fala de sua experiência com uma cozinha light de qualidade. Ao perceber que precisava emagrecer 30 kg, propôs uma cozinha saudável sem abrir mão do sabor ou da apresentação. Parece que A Dieta do Chef, Alta Gastronomia de Baixa Caloria já tem vários adeptos. É um sinal de que saúde e gastronomia deveriam andar de mãos dadas. Segundo o chef, um dos grandes prazeres da vida é comer "bem". Concordo!
Gérald Passédat
A cozinha de profundidade
Ao iniciar a sua aula, Passédat diz que veio falar sobre o gosto, sobre o respeito ao ambiente, ao produto, aos produtores e aos pescadores. Passédat foi mais um chef que se mostrou preocupado com a gastronomia sustentável e o fair trade. Faço votos de que isso seja apenas o início de uma grande mudança séria, e não apenas um modismo para encarecer a gastronomia.
O chef ainda diz que o cliente quer uma cozinha de autor e não de plágio – palavras sempre lembradas por quase todos os chefs da atualidade e que dá panos pra manga, pois o que é inspiração para uns, é plágio para outros, e vice-versa.
Sobre saúde, Passédat diz que “uma grande refeição se julga no dia seguinte”. Boa colocação!! E, que vem de acordo com a proposta do chef Villard.
Emmanuel Bassoleil
Das minhas raízes à São Paulo: mais de 30 anos de experiências
Muito simpático, o chef francês que escolheu o Brasil como morada, foi capaz de entreter a platéia logo cedo com suas lembranças de infância sobre a Borgonha. Preparou o famoso prato de escargots de sua terra e nos presenteou com uma bela receita de pain d’épices acompanhada por um cálice de licor de Cassis.
Philippe Gobet
A baunilha na cozinha: origem, tendência e expressão culinária
Não é a primeira vez que assisto a uma palestra do Diretor da Ecole Lenôtre, e mais uma vez, o chef mostrou domínio quando o assunto é a confeitaria, e dessa vez nos trouxe a tão desejada baunilha. Pudemos degustar e comparar as duas variedades mais famosas - a Bourbon – sabor e aroma mais profundo, mais amadeirado, e a Tahiti – de sabor mais adocicado.
Imagem retirada do material distribuído no congresso

